Chefe do Pentágono declara até US$ 65 mil em bitcoin guardados na Coinbase, revela documento de ética
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, mantém bitcoin em uma carteira da Coinbase, segundo a declaração financeira que ele entregou aos órgãos de ética do governo americano. A informação foi publicada pelo Decrypt em 25/09/2026 e ajuda a mostrar como os criptoativos passaram a aparecer, ainda que em valores modestos, no patrimônio de integrantes do alto escalão de Washington.
De acordo com o documento, a posição em bitcoin aparece em duas entradas separadas na seção de "outros ativos e rendimentos". A primeira está na faixa de US$ 15.001 a US$ 50.000, e a segunda, entre US$ 1.001 e US$ 15.000. Somadas, as duas linhas indicam um valor aproximado entre US$ 16 mil e US$ 65 mil. Ambas foram classificadas como fonte de renda do tipo ganho de capital, já que as declarações americanas trabalham com intervalos, e não com valores exatos.
O formulário não registra compras nem vendas de bitcoin acima de US$ 1.000 na seção de transações referente a 2025. Isso sugere, pelo que o próprio documento mostra, que a exposição à criptomoeda não foi movimentada de forma relevante ao longo daquele ano. O Decrypt não informa quando nem a que preço a posição foi montada.
O bitcoin é apenas uma fatia pequena do patrimônio declarado. Somando dinheiro em caixa, investimentos de aposentadoria e a criptomoeda, Hegseth reporta ativos de pelo menos US$ 3,1 milhões. Há cinco contas de aposentadoria em nome dele e da esposa, Jennifer, além de três contas bancárias nos Estados Unidos, uma delas com saldo acima de US$ 1 milhão. No lado das obrigações, aparecem duas hipotecas sobre a residência pessoal, cada uma na faixa de US$ 1.001.000 a US$ 5.000.000, contratadas em 2022 e em 2025 com juros de 8,5%.
A declaração também detalha a reorganização da carteira de ações feita ao assumir o cargo. Em fevereiro de 2025, Hegseth vendeu papéis de empresas fornecedoras da área de defesa, como Lockheed Martin, Northrop Grumman e Honeywell. Ele também se desfez de ações de tecnologia e do setor financeiro, entre elas Apple, Amazon, Microsoft, Oracle e Visa, e aplicou os recursos em fundos de índice, movimento comum entre autoridades que precisam evitar conflitos de interesse.
O documento foi assinado em maio de 2026, certificado pelo responsável de ética do órgão em agosto e, por fim, validado pelo Escritório de Ética Governamental em 18/09/2026. Segundo o Decrypt, a exposição de Hegseth é bem inferior à do presidente Donald Trump, que em junho de 2026 declarou mais de US$ 50 milhões em bitcoin.
Para quem acompanha o mercado, o caso não altera a cotação nem a dinâmica de oferta do bitcoin, dado o valor envolvido. O dado relevante é outro: a presença do ativo em declarações oficiais de figuras do primeiro escalão americano reforça a percepção de que a criptomoeda deixou de ser tabu entre autoridades e passou a ser tratada como mais uma classe de investimento, sujeita às mesmas regras de transparência aplicadas a ações, fundos e contas bancárias.
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