Chainlink abre CCIP 2.0 a verificadores próprios após ataque de US$ 292 milhões à Kelp
Cinco meses depois de um dos maiores ataques do ano no mercado de finanças descentralizadas, a Chainlink lançou, nesta segunda-feira, 28 de setembro de 2026, a versão 2.0 do CCIP, seu protocolo de interoperabilidade entre blockchains. A principal novidade permite que instituições usem verificadores próprios para validar transferências entre redes, em vez de depender apenas da rede padrão da Chainlink.
O recurso recebeu o nome de Cross-Chain Verifier, ou CCV. Com ele, uma organização pode operar sua própria infraestrutura de verificação ou contratar empresas externas para fazer esse trabalho, como a Infosys ou a Nethermind. A ideia é oferecer uma camada adicional de checagem para quem movimenta valores elevados entre blockchains diferentes.
O momento do lançamento tem ligação direta com o caso da Kelp DAO. Em abril de 2026, hackers associados ao Lazarus Group, grupo ligado à Coreia do Norte, retiraram cerca de US$ 292 milhões do protocolo. A Kelp utilizava a infraestrutura de ponte da LayerZero configurada com um único verificador, uma fragilidade estrutural que abriu caminho para o roubo. Com apenas um ponto de validação, bastava comprometê-lo para autorizar transferências indevidas.
Depois do incidente, várias instituições migraram da LayerZero para a Chainlink. A própria Kelp trocou de plataforma, a corretora Kraken transferiu seu token de Bitcoin embrulhado e a Lombard Finance moveu mais de US$ 1 bilhão em ativos vinculados ao Bitcoin. Segundo a Chainlink, nos últimos quatro meses foram migrados US$ 15 bilhões em ativos tokenizados, incluindo o Bitcoin embrulhado da BitGo e o cbBTC, da Coinbase.
Na arquitetura técnica, a base continua a mesma: um comitê de 16 operadores de nós independentes precisa chegar a consenso sobre cada transferência. Há, porém, uma mudança que merece atenção. A Risk Management Network, que antes funcionava como uma segunda checagem automatizada, não tem mais papel ativo nas implantações atuais. A documentação da Chainlink afirma que essa função automatizada fora da cadeia não está ativa nas versões correntes do CCIP, mas deve voltar como camada opcional de validação em lançamentos futuros.
A empresa afirma proteger mais de US$ 84 bilhões em valor de tokens que circulam entre blockchains. Dezoito companhias aparecem como parceiras de lançamento, embora o grau de compromisso varie bastante. A Fidelity, por exemplo, diz que a atualização tem potencial para apoiar uma distribuição mais ampla, enquanto a Further Asset Management afirma que pretende firmar parceria com o sistema. Ou seja, parte dessas adesões ainda está no campo das intenções.
Para investidores brasileiros que usam aplicações descentralizadas ou mantêm versões tokenizadas de Bitcoin em outras redes, o tema é relevante. Pontes entre blockchains estão entre os pontos mais atacados do ecossistema cripto, e a segurança dessas estruturas afeta diretamente quem deposita recursos em protocolos de rendimento. Mecanismos que permitem múltiplas verificações independentes reduzem o risco de um único ponto de falha, embora não eliminem totalmente a possibilidade de novos ataques.
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