Carteiras inteiras em um só token: BlackRock e Ondo ampliam aposta na tokenização
Entre os movimentos que marcaram a manhã de 25 de setembro no mercado cripto, o destaque do boletim diário do Decrypt foi o avanço da BlackRock na tokenização. A maior gestora de recursos do mundo desenvolveu, em parceria com a Ondo, três estratégias de carteira que agora são negociadas como tokens únicos. Cada token reúne uma alocação completa de ativos, faz o rebalanceamento de forma automática e pode ser transferido diretamente entre carteiras digitais, algo que não acontece com produtos comuns de corretora.
A iniciativa vai além do que a BlackRock já havia feito. O fundo de mercado monetário BUIDL chegou à blockchain em março de 2024 e, em julho, a Ondo tokenizou o ETF iShares Core S&P 500 e ações da Micron. Esses produtos, porém, representavam um único instrumento cada. Os novos tokens agrupam diversos ativos e são rebalanceados continuamente, com posições, pesos e ajustes visíveis na blockchain.
Os três tokens receberam os códigos BLKHIon, focado em alta renda, BLKDIGon, de crescimento diversificado, e BLKGRWon, de alto crescimento. Eles estão disponíveis apenas para investidores qualificados fora dos Estados Unidos. Após o anúncio, o token ONDO chegou a subir cerca de 30%.
O arranjo divide bem os papéis. A BlackRock entra com as estratégias de investimento e o peso de sua marca, enquanto a Ondo cuida da infraestrutura técnica, da distribuição e da responsabilidade regulatória. Segundo documentos da Ondo, a BlackRock não atua como consultora, gestora, patrocinadora, promotora, subscritora ou distribuidora, não supervisiona nem controla os produtos e pode ter conflitos de interesse. Na avaliação do autor do boletim, esse modelo de licenciamento, em que grandes gestoras cedem propriedade intelectual e assumem pouco risco operacional, tende a virar padrão, e outras casas devem seguir o mesmo caminho após aprovações recentes da SEC e da CFTC.
Nos preços, o bitcoin era cotado a US$ 84.500, alta de 1%, e o ether a US$ 2.720, com avanço de 3%. A solana subiu 7%, para US$ 121, e o Zcash ganhou 8%, a US$ 1.605. Entre as altcoins, Quant avançou 25%, Ondo 21% e Fetch AI 20%. Os ETFs de bitcoin registraram entradas líquidas de US$ 191 milhões na quinta-feira, e os de ether, de US$ 66 milhões. Fora do universo cripto, o petróleo recuava 1%, a US$ 92 o barril, e o ouro subia 1%, a US$ 4.345.
O boletim reuniu ainda outros fatos relevantes. A comissária da SEC Hester Peirce defendeu o uso de provas de conhecimento zero no lugar dos processos atuais de identificação de clientes. Reguladores de Nova York processaram a Polymarket por suposta operação ilegal de apostas e por permitir negociações de menores. O Federal Reserve propôs regras que exigem lastro integral de stablecoins em títulos de curto prazo do Tesouro americano. A Bitget informou perdas de cerca de US$ 351,6 milhões em um ataque, que serão cobertas por seu fundo de US$ 464 milhões.
Para o investidor brasileiro, o caso BlackRock e Ondo reforça uma tendência que também avança por aqui: transformar produtos financeiros tradicionais em tokens negociáveis em blockchain, embora esses três produtos específicos não sejam oferecidos a investidores americanos.
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