Bitcoin perde fôlego perto de US$ 83 mil e token Lighter desaba após anúncio da Robinhood
Parado perto de US$ 83 mil, o Bitcoin segue sem direção definida enquanto os juros longos dos Estados Unidos sobem ao maior nível em mais de duas décadas. Na manhã europeia desta quarta-feira (30), a criptomoeda era negociada a US$ 83.164, com queda de 0,57% desde a meia-noite no horário UTC e perda de cerca de 1% em 24 horas, depois de ter alcançado US$ 84.400 durante o pregão americano de terça-feira.
O pano de fundo vem do mercado de títulos. O rendimento do Tesouro americano de 30 anos superou 5,6% na terça-feira, o patamar mais alto desde junho de 2002, e o de 10 anos marcou nova máxima desde 2007, perto de 5,3%. Ainda assim, os futuros do S&P 500 subiam 0,27% e o índice europeu Stoxx 600 avançava 0,74% pela manhã. O petróleo Brent recuava para US$ 96,43, abaixo do nível de US$ 100 que acompanhou a onda de vendas em criptomoedas na segunda-feira.
De acordo com a CoinDesk, o Bitcoin está em um padrão de consolidação desde a tentativa frustrada de rompimento em US$ 87.300, no dia 21 de setembro. O índice de finanças descentralizadas da casa, o DFX, teve o pior desempenho da família de índices, com recuo de 2,3% em 24 horas, puxado pelo Aave, que devolveu 4,4% depois de ter subido 11% na terça-feira.
O destaque negativo ficou com o Lighter (LIT), token ligado a uma corretora de contratos perpétuos. O ativo perdeu 17% em 24 horas e mais 5,6% desde a meia-noite UTC, o que reduziu seu valor de mercado para US$ 2,1 bilhões. A queda veio depois de a Robinhood anunciar que passará a oferecer contratos futuros perpétuos nos Estados Unidos por meio de seu braço de derivativos. Na ponta oposta, o Quant (QNT) subiu 7,5% desde a meia-noite, maior alta do CoinDesk 100, e acumulava 14% em 24 horas, enquanto o LayerZero (ZRO) ganhou 13% no mesmo intervalo.
Os dados de derivativos mostram um mercado menos alavancado. As liquidações caíram pela metade, para US$ 196 milhões, ante US$ 389 milhões no dia anterior, e o interesse aberto total recuou para US$ 147 bilhões, contra quase US$ 150 bilhões dois dias antes. Nos futuros de Bitcoin, o interesse aberto caiu para 625 mil BTC, o menor nível desde 1º de janeiro. Essa redução começou em junho, mesmo com o preço subindo de US$ 57 mil para mais de US$ 80 mil, o que, na leitura da publicação, indica que a alta foi sustentada por compras no mercado à vista, e não por alavancagem.
A volatilidade implícita de 30 dias de Bitcoin e Ether continua calma, sinal de que os operadores esperam movimentos ordenados apesar da alta dos juros e do fortalecimento do dólar. O índice de temporada de altcoins da CoinMarketCap marcava 61 de 100 e está acima de 60 há cinco dias, nível que não era visto havia mais de três meses.
A atenção agora se volta para o índice de preços de gastos com consumo (PCE), a medida de inflação preferida do Federal Reserve, divulgado antes da abertura de Wall Street, e para o balanço da Micron após o fechamento. Para o investidor brasileiro, a combinação de juros americanos em alta e dólar mais forte merece acompanhamento, porque afeta a cotação do Bitcoin em reais e o apetite global por ativos de risco.
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