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Bitcoin emprestado em busca de rendimento pode perder proteção de trust nas regras britânicas de 2027

Imagem de abertura da publicação em CryptoSlate
Imagem reproduzida de CryptoSlate. Legenda da fonte: Image by CryptoSlate

Plataformas que oferecem rendimento sobre Bitcoin emprestado no Reino Unido poderão deixar de tratar essas moedas como bens protegidos dos clientes enquanto o empréstimo estiver ativo. A possibilidade faz parte do novo regime britânico para criptoativos, previsto para começar em 25 de outubro de 2027, e ganhou atenção agora que a Financial Conduct Authority (FCA), órgão regulador financeiro do país, abriu na quarta-feira (30) o prazo para pedidos de autorização.

O ponto central é a diferença entre dois serviços que, para o cliente comum, podem parecer semelhantes. Quando o próprio cliente toma um empréstimo e entrega Bitcoin como garantia, essa colateral de varejo precisa continuar protegida. A plataforma não pode assumir a propriedade integral das moedas para reutilizá-las, exceto se houver consentimento expresso do cliente e um acordo por escrito de quitação da dívida.

O tratamento muda quando o cliente transfere suas moedas para a plataforma em troca de rendimento. Segundo análise do CryptoSlate, as regras permitem que a empresa que presta um serviço de empréstimo qualificado fique dispensada de atuar como trustee, figura jurídica que mantém os ativos separados em favor do cliente. A isenção vale durante o serviço e termina quando o empréstimo acaba. Nesse intervalo, a recuperação dos ativos pode depender apenas do direito contratual de devolução.

A custódia comum segue outra lógica. Pelo capítulo CASS 17 do Client Assets Sourcebook, manual da FCA sobre ativos de clientes, a guarda de criptoativos em geral exige um trust de proteção. O texto cita ainda o CASS 6, que trata da custódia de criptoativos classificados como investimentos específicos, e a exigência de reconciliações calculadas pelo menos uma vez a cada dia útil. A publicação ressalta que, mesmo com a isenção, os arranjos de empréstimo e sua operação continuam obrigados a cumprir requisitos legais e de proteção definidos pelo regulador.

Outro aspecto relevante é a ausência de uma rede de segurança. A autorização das novas atividades não trará cobertura do Financial Services Compensation Scheme (FSCS), o fundo britânico de compensação de investidores. Ficam de fora a guarda de criptoativos, a organização dessa guarda, a operação de plataformas de negociação, a compra e venda de criptoativos, a emissão de stablecoins e a intermediação de staking. A reportagem também menciona as regras de resolução de disputas, conhecidas como DISP, ligadas ao Financial Ombudsman Service.

Os pedidos de autorização são feitos pelo sistema FCA Connect, e as regras foram finalizadas pela FCA em 30 de junho. A orientação da reportagem ao cliente é verificar como cada contrato classifica as moedas: se continuam sob custódia, se servem de garantia para um empréstimo ou se foram transferidas para um serviço de empréstimo. Essa definição determina qual direito existe se algo der errado, e o trust fortalece a posição do cliente, mas não garante reembolso integral.

Para o leitor brasileiro, o caso mostra como reguladores vêm tratando o rendimento sobre criptomoedas emprestadas, um tipo de produto que também circula por aqui. Antes de buscar retorno sobre o Bitcoin, vale entender se as moedas continuam sendo suas no papel ou se viraram apenas um crédito contra a empresa.

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Fonte: reportagem original publicada por CryptoSlate. Conteúdo apresentado como resumo editorial. Textos e imagens permanecem sob responsabilidade de suas fontes originais.

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