B3 estreia contratos de evento sobre bitcoin, Ibovespa e real após veto a 28 plataformas de previsão
Seis contratos de evento passaram a ser negociados na B3 em 27 de abril de 2026, incluindo instrumentos atrelados às variações do preço do bitcoin. A bolsa brasileira lançou os produtos como o primeiro mercado de previsão regulado em nível federal no país, em um momento em que o governo endurecia as regras para plataformas estrangeiras do setor.
Os contratos têm como ativos de referência o Ibovespa, o real e o bitcoin. O preço de cada contrato tem teto de R$ 100, cerca de US$ 19, e a liquidação é feita apenas financeiramente, sem entrega física de ativos. A matéria indica que a participação exige perfil de investidor profissional, com pelo menos R$ 10 milhões em aplicações, cerca de US$ 1,9 milhão, ou certificação técnica reconhecida pela CVM.
O lançamento ocorreu logo depois de uma mudança regulatória importante. Em 24 de abril de 2026, o Conselho Monetário Nacional publicou a Resolução nº 5.298, que proíbe derivativos baseados em eventos esportivos, jogos on-line e eventos políticos, eleitorais, sociais, culturais ou de entretenimento. A norma, que passa a valer em 4 de maio, preserva os derivativos ligados a variáveis econômicas e financeiras, justamente a categoria em que se encaixam os contratos da B3. A resolução cita expressamente o marco federal das apostas esportivas como base legal.
Em paralelo, a Anatel bloqueou 28 plataformas, entre elas as americanas Polymarket e Kalshi. A Kalshi havia chegado ao Brasil em janeiro de 2026 por meio de uma parceria com a XP International. Com o bloqueio, esses serviços deixam de estar acessíveis no país pelos canais habituais.
Luiz Masagão, vice-presidente executivo de Produtos e Clientes da B3, afirmou que os contratos fazem parte de uma estratégia mais ampla para modernizar o mercado de derivativos do país. Em reportagem do Bitcoin.com News, a publicação lembra que a B3 já havia lançado contratos futuros de bitcoin em abril de 2024 e que a bolsa planeja lançar uma plataforma de tokenização e uma stablecoin antes do fim do ano.
A B3, formada em 2017 a partir da fusão entre BM&FBovespa e Cetip, passa assim a ocupar um espaço que vinha sendo disputado por plataformas estrangeiras. A diferença é que os produtos da bolsa estão restritos a variáveis econômicas e financeiras, enquanto as plataformas bloqueadas permitiam apostas em eleições, esportes e outros eventos agora vedados.
Para o investidor brasileiro, a mudança tem dois lados. De um lado, surge um produto regulado e supervisionado para quem deseja se posicionar sobre o comportamento do bitcoin, do Ibovespa ou do real. De outro, o acesso fica limitado a investidores profissionais, o que exclui a maior parte do público de varejo. Quem usava plataformas como Polymarket e Kalshi perde essa alternativa no país. O movimento reforça a tendência de concentrar produtos financeiros ligados a cripto em ambientes regulados, sob supervisão de órgãos como CVM e Banco Central.
O que você achou desta notícia?
+
Carregando reações dos leitores…
Mais conteúdos para você
Do mesmo assunto e outras leituras recentes do arquivo.
Alta nos custos da indústria americana reacende debate sobre juros e pesa sobre o Bitcoin
Bitcoin · CryptoSlate
Block, de Jack Dorsey, aposta em publicidade na TV e no cinema para incentivar compras em Bitcoin
Bitcoin · Bitcoin Magazine
Citigroup eleva projeção para o Bitcoin a US$ 113 mil e passa a prever entradas bilionárias em ETFs
Bitcoin · Bitcoin.com News
Fundos de Bitcoin nos EUA recuperam terreno e ficam a US$ 5 bilhões do pico histórico de captação
Bitcoin · CryptoSlate
Juros em alta e pagamentos feitos por agentes de IA reforçam tese do Bitcoin como dinheiro, avalia editor
Bitcoin · CryptoSlate
Outubro começa com histórico favorável ao Bitcoin, mas juros americanos testam o otimismo
Bitcoin · Decrypt