Aval brasileiro ao primeiro ETF de XRP à vista impulsiona a criptomoeda em 6%
Hashdex recebeu aval regulatório para lançar o primeiro fundo de índice à vista de XRP do Brasil, e a notícia bastou para colocar a criptomoeda à frente das maiores concorrentes em fevereiro de 2025. Nas 24 horas seguintes, o XRP subiu 6% e chegou a US$ 2,75, acumulando mais de 10% de alta na semana, desempenho superior ao do Bitcoin e do Ether entre as dez maiores criptomoedas por valor de mercado.
O fundo oferece exposição direta à variação de preço do XRP e vinha sendo preparado desde dezembro de 2024. Na data da reportagem, a CryptoSlate informou que o produto estava em fase pré-operacional e que a data oficial de lançamento ainda não havia sido divulgada. O presidente-executivo da Ripple, Brad Garlinghouse, reagiu compartilhando uma reportagem sobre a aprovação em sua conta no X, antigo Twitter.
A aprovação reforça a posição do país como um dos mercados mais ativos em produtos de investimento cripto. O Brasil aparece entre os dez países com maior adoção de criptomoedas, conforme relatório da Chainalysis citado pela publicação, e já havia lançado o primeiro ETF à vista de Solana do mundo. A sequência de aprovações mostra um ambiente que tem permitido o lançamento de fundos ligados a ativos digitais além do Bitcoin e do Ether.
Nos Estados Unidos, o cenário era diferente naquele momento. A SEC, a comissão de valores mobiliários americana, analisava pedidos pendentes de ETFs de XRP, o que sinalizava algum avanço, mas a incerteza regulatória ainda era um obstáculo. Analistas especulavam que o órgão poderia resolver primeiro a disputa judicial com a Ripple antes de conceder aprovações. A jornalista Eleanor Terrett, da Fox Business, sugeriu que a demora estaria ligada à forma como a SEC priorizava outros casos. No mercado de previsões Polymarket, apostadores atribuíam 80% de chance de aprovação de um ETF de XRP nos Estados Unidos ainda naquele ano.
Para o investidor brasileiro, a novidade abre a possibilidade de ganhar exposição ao XRP por meio de um produto negociado em bolsa, sem precisar abrir conta em corretora de criptomoedas nem cuidar da custódia dos tokens. Esse formato costuma atrair quem já investe por meio de uma corretora tradicional e prefere a estrutura regulada de um fundo. Como qualquer ETF, porém, o produto acompanha a variação do ativo subjacente, e o XRP é conhecido pela alta volatilidade, como mostra a própria valorização de 6% em um único dia.
A reação do preço também ilustra como decisões tomadas no mercado brasileiro podem repercutir no cenário global. Um aval concedido no país foi suficiente para mover uma das maiores criptomoedas do mundo e chamar a atenção de executivos e analistas no exterior. Para quem acompanha o setor, o episódio reforça a importância de observar a agenda regulatória local, que tem colocado o Brasil à frente de outros mercados na criação de produtos de investimento ligados a criptoativos.
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