Artigo defende Bitcoin no lugar de moeda comum entre Brasil e Argentina
Moeda comum entre Brasil e Argentina não resolveria os problemas econômicos dos dois vizinhos, e o Bitcoin seria uma alternativa melhor para o comércio entre eles. Essa é a tese de um artigo de opinião publicado em fevereiro de 2023 pela Bitcoin Magazine, assinado por Jack Williams, estudante de graduação em administração de empresas na Queens University of Charlotte, nos Estados Unidos, que declara possuir uma pequena quantidade de bitcoin.
O texto foi escrito no momento em que os dois governos discutiam a possibilidade de uma moeda comum para as trocas bilaterais. O autor parte do diagnóstico de que ambos os países atravessam crises econômicas. Na Argentina, ele destaca a inflação elevada tanto na comparação anual quanto na mensal. No Brasil, aponta a incerteza política e econômica que se seguiu à eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, lembrando que o presidente enfrentou acusações de corrupção antes da campanha. Do lado argentino, são citados o ministro da Economia, Sergio Massa, e o presidente Alberto Fernández.
Na visão de Williams, uma moeda fiduciária compartilhada retiraria riqueza dos cidadãos e beneficiaria apenas as elites políticas. Ele se apoia em um texto de Marcos Falcone publicado no site Mises.org e recorre a uma frase do escritor e podcaster anarquista Michael Malice: "Todo país está em estado de anarquia em relação a todos os outros países". O raciocínio é que, sem uma autoridade acima dos Estados, nenhuma moeda criada por governos seria realmente neutra.
É aí que entra o Bitcoin. Para o autor, a criptomoeda ofereceria uma referência de valor objetiva e neutra, independente do controle de qualquer governo, o que a tornaria adequada para liquidar trocas entre dois países com histórico de instabilidade monetária. Como prova de viabilidade política, ele cita a adoção do Bitcoin por El Salvador.
Williams também sustenta que já existem figuras políticas favoráveis ao Bitcoin na região. O principal exemplo é Javier Milei, economista da escola austríaca, então deputado federal por Buenos Aires e pré-candidato à Presidência da Argentina, que via no Bitcoin uma reação natural ao que chamava de fraude dos bancos centrais. O artigo termina com uma frase atribuída a Victor Hugo: "Nenhum exército pode deter uma ideia cuja hora chegou".
Para o leitor brasileiro, é importante tratar o texto pelo que ele é: um artigo de opinião, com posição declaradamente favorável ao Bitcoin, e não uma análise técnica de política econômica nem um anúncio oficial. As críticas aos governos e a projeção sobre o papel da criptomoeda nas relações entre os dois países refletem exclusivamente a visão do autor.
Ainda assim, a leitura ajuda a entender como parte da comunidade internacional de Bitcoin enxergava, naquele início de 2023, o debate sobre integração monetária entre as duas maiores economias da América do Sul. Para quem acompanha o tema, o artigo mostra que a discussão sobre uma moeda comum também foi usada como vitrine para defender a criptomoeda como alternativa às moedas emitidas por bancos centrais.
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