Arthur Hayes mantém aposta de Bitcoin a US$ 1 milhão até 2030 e vê crise de crédito da IA como gatilho
Arthur Hayes, diretor de investimentos da Maelstrom, voltou a defender que o Bitcoin pode chegar a US$ 1 milhão até 2030. A previsão foi reiterada em 30 de setembro, segundo publicação da conta Walter Bloomberg na rede X, e o executivo associa a fase mais forte dessa alta ao fim de 2027 ou ao início de 2028.
O raciocínio de Hayes parte de um risco que ele enxerga no financiamento da inteligência artificial. Para o investidor, o problema que se desenha é uma "história de crédito, como 2008, e não uma história de lucros, como 2000". Ou seja, a ameaça não estaria no fracasso da tecnologia, como na bolha das empresas de internet, mas na forma como a expansão está sendo paga, com dívida.
Em reportagem do crypto.news, a tese é detalhada a partir do descompasso entre a vida útil dos equipamentos e os prazos de pagamento. Os data centers envelhecem enquanto os tomadores continuam responsáveis por quitar empréstimos contratados numa época em que as expectativas de receita eram mais altas. Esse desencontro poderia gerar estresse em bancos, seguradoras e investidores de infraestrutura. Hayes espera que o crescimento dos gastos anunciados com IA desacelere no segundo semestre de 2027 e que isso fique mais evidente em 2028.
A alta do Bitcoin, nesse cenário, dependeria da resposta do governo. Hayes imagina duas saídas: o Estado americano atuando como "comprador de última instância" de capacidade computacional ou socorrendo seguradoras com perdas em dívidas ligadas à IA. Em ambos os casos, segundo ele, haveria expansão da oferta de dinheiro, o que favoreceria o Bitcoin. A ideia já aparecia em seu ensaio "Safety First", noticiado em 22 de setembro, sobre a liquidez das dívidas da IA.
Os números citados ajudam a dimensionar o tema. Uma nota de pesquisa da Apollo de 14 de agosto, associada ao economista-chefe Torsten Slok, estima que o ecossistema de IA pode sustentar mais de US$ 2 trilhões em novas dívidas com grau de investimento até 2030. O mercado público absorveria menos de US$ 1 trilhão, e mais de US$ 1 trilhão iria para estruturas de financiamento privado. Até julho, os empréstimos ligados à IA respondiam por 40% da oferta de títulos corporativos de prazo mais longo com grau de investimento. A publicação também menciona mudanças nas regras de informação sobre crédito privado da NAIC, associação dos reguladores de seguros dos EUA, que passam a valer no fim de 2026.
O caminho até lá não seria linear. Em agosto, Hayes traçou um cenário em que o Bitcoin oscilaria entre US$ 60 mil e US$ 70 mil, e chegou a apontar US$ 50 mil como possível piso numa queda.
Para o investidor brasileiro, vale tratar a previsão pelo que ela é: a opinião de um gestor conhecido por projeções ousadas, e não uma estimativa de consenso. A tese depende de uma sequência de eventos ainda incertos, da crise de crédito à reação do governo americano.
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