Após recusa da THORChain em bloquear endereços, invasor da Bitget troca US$ 6,3 milhões em ether por bitcoin
Parte do dinheiro roubado da corretora Bitget mudou de forma na madrugada de 28 de setembro. Segundo o crypto.news, uma carteira ligada ao invasor converteu cerca de US$ 6,3 milhões em ether (ETH) para bitcoin (BTC) por meio da THORChain, protocolo de trocas entre blockchains, pouco depois de a rede recusar um pedido para congelar os endereços do atacante.
As operações foram feitas em 27 trocas, entre 3h55 e 6h23 (UTC) de segunda-feira, 28 de setembro, transformando aproximadamente 2.390 ETH em 75,2 BTC. De acordo com a publicação, outras quatro transações envolvendo 400 ETH ainda estavam pendentes. Apesar da passagem por outra blockchain, os recursos continuam rastreáveis nos registros públicos. O texto também relata que parte dos bitcoins já havia sido direcionada ao Wasabi, serviço de CoinJoin usado para aumentar a privacidade das transações.
O ataque à Bitget ocorreu em 24 de setembro, às 18h31 (UTC). A corretora elevou sua estimativa de perdas de US$ 351,6 milhões para US$ 387,5 milhões, depois de incluir ativos em Zcash e TRON que haviam ficado fora da conta inicial. Emissoras de stablecoins agiram: a Circle congelou 99.990 USDC e a Tether bloqueou 218.023 USDT ligados ao caso.
O centro da disputa é a postura da THORChain. A CEO da Bitget, Gracy Chen, pediu à rede que bloqueasse endereços específicos do atacante e criticou a recusa com uma frase direta: descentralização é um princípio de design, não um escudo para facilitar a movimentação de fundos sabidamente roubados. A THORChain respondeu que seus controles de emergência servem para proteger o protocolo, podendo interromper a atividade da rede, mas não congelar uma troca individual nem bloquear carteiras de forma seletiva.
Essa explicação foi contestada pela empresa de segurança GoPlus, que apontou a existência de mecanismos de votação e de pausas por blockchain dentro da própria THORChain. O crypto.news lembra ainda que o protocolo sofreu um roubo de US$ 10,7 milhões em maio.
Enquanto a disputa segue, a Bitget tenta recuperar recursos e normalizar as operações. A corretora criou um programa de recompensa que paga 5% sobre valores congelados ou recuperados e montou um cronograma escalonado de reabertura dos saques: bitcoin a partir de 28 de setembro, ether e outros ativos em 29 de setembro, USDT em 30 de setembro e os demais serviços em 2 de outubro.
O caso interessa também a usuários brasileiros que mantêm recursos em corretoras internacionais, já que o cronograma de saques define quando cada ativo volta a ficar disponível para retirada na plataforma.
Para quem acompanha o mercado, o episódio reacende o debate sobre até onde protocolos descentralizados devem ir para conter a lavagem de recursos roubados. De um lado, emissoras de stablecoins mostram capacidade de congelar valores; de outro, redes como a THORChain defendem neutralidade. A rastreabilidade das transações permanece, mas a recuperação efetiva depende de pontos de controle que nem sempre existem.
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