Analistas apontam US$ 82 mil como linha de defesa do Bitcoin para outubro
Sustentar os US$ 82 mil virou a principal condição para o Bitcoin manter um outubro positivo, na avaliação de analistas de mercado. Em reportagem do crypto.news, a criptomoeda aparece com alta de mais de 2% depois da divulgação dos dados de inflação PCE nos Estados Unidos, seguida de devolução. Ela não conseguiu se manter acima de US$ 85.500 e voltou a ser negociada perto de US$ 83.500, segundo Jeff Ko, analista-chefe da ViaBTC.
Abaixo de US$ 82 mil, os aglomerados de liquidação ficam mais escassos, o que pode acelerar uma queda em direção a US$ 80 mil. Lacie Zhang, chefe de pesquisa da Bitget Wallet, aponta a principal zona de liquidação abaixo do preço atual entre US$ 82.000 e US$ 82.500. Os dados citados também mostram uma faixa densa entre US$ 82.300 e US$ 82.600. Outra concentração aparece entre US$ 85.400 e US$ 85.700.
Zhang projeta que o Bitcoin oscile entre US$ 78 mil e US$ 95 mil ao longo do mês, desde que a demanda institucional compense a venda de detentores de longo prazo e de mineradores. Para ela, o rompimento de US$ 87.500 é o principal gatilho de alta. A analista lembra que outubro tem bom histórico, com retorno mediano entre 11% e 14%, mas pondera que a sazonalidade, sozinha, não é tese de investimento.
O fluxo institucional segue relevante, ainda que em ritmo menor. Os ETFs de Bitcoin à vista receberam cerca de US$ 2,4 bilhões na semana anterior, com destaque para US$ 999 milhões em 21 de setembro e US$ 714,7 milhões no dia 22. Em 28 de setembro, porém, as entradas líquidas diárias caíram para US$ 31,1 milhões. A Strategy comprou 1.665 BTC e passou a deter 847.666 unidades. Na avaliação de Zhang, as compras institucionais podem oferecer um piso, mas não garantem, por si só, uma alta em outubro.
O lado macroeconômico ajudou no curto prazo. O PCE subiu 0,3% no mês e 3,4% em 12 meses, enquanto o núcleo avançou 0,2% e 3,0%, abaixo das expectativas de 3,7% e 3,3%. Com isso, a probabilidade de alta de juros pelo Fed em outubro caiu para 38,2%, ante 70,9% uma semana antes. Para dezembro, a chance segue em 86%. O cenário-base ainda prevê alta de 0,25 ponto na reunião de 28 de outubro, levando a faixa para 4,00% a 4,25%.
No mercado de derivativos, a taxa de financiamento dos contratos perpétuos de Bitcoin na Binance estava em 0,0068%, com média de sete dias de 0,0023%. Os contratos em aberto somavam US$ 7,7 bilhões, queda de cerca de 16% em uma semana, sinal de alavancagem mais contida. O rendimento do Tesouro americano de dez anos estava perto de 5,2%, e o petróleo, acima de US$ 100.
Os próximos testes são o relatório de emprego de setembro, na sexta-feira (2), e a inflação ao consumidor de setembro, em 14 de outubro. Um dado de emprego mais fraco pode elevar a chance de pausa nos juros, enquanto emprego resistente com inflação firme reforçaria novos apertos. Para o investidor brasileiro, os níveis de US$ 82 mil e US$ 87.500 servem como referência para acompanhar a cotação também nas corretoras locais.
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