Alta do dólar explica pouco das oscilações do Bitcoin, indicam dados de correlação
Mesmo com o dólar no maior nível em dois meses, o Bitcoin vem mostrando pouca dependência da moeda americana. O índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de divisas fortes, acumula alta de cerca de 2,6% desde 9 de setembro e atingiu 101,69 pontos na terça-feira (29). Ainda assim, os números indicam que esse avanço explica apenas uma parcela pequena das oscilações da criptomoeda.
A lógica tradicional diz o contrário. Quando o dólar se valoriza, quem tem dívidas na moeda americana passa a pagar mais caro e tende a cortar a exposição a ativos de risco. Por esse raciocínio, "um dólar mais forte deveria pesar sobre o Bitcoin", como resume a análise publicada pela CoinDesk, assinada por Omkar Godbole.
Os dados, porém, mostram uma relação fraca. Nos últimos 90 pregões, a correlação entre o Bitcoin e o DXY ficou em menos 0,41. Isso corresponde a um R quadrado de 0,17, o que significa que o dólar responde por apenas cerca de 17% da variação dos retornos diários do BTC. Em 30 dias, a correlação foi de menos 0,45.
O número também é distorcido por poucos episódios. Sem dois dias de movimentos fortes, 19 de agosto e 3 de setembro, a correlação de 90 dias cai para menos 0,19. Desde janeiro de 2020, a média é de apenas menos 0,14, e o ponto de maior correlação positiva foi de 0,22, em novembro de 2024. A análise acrescenta que o Bitcoin também mostra pouca correlação relevante com os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, o que, segundo o texto, reforça o argumento do ativo como diversificador de carteira, movido em grande parte por fatores próprios.
No gráfico, o dólar segue com sinais de força. O DXY é negociado acima da nuvem de Ichimoku, indicador técnico que aponta impulso de alta, mas ainda não rompeu a resistência de 101,80 pontos, máxima de 24 de junho. Uma superação desse nível representaria, na leitura da publicação, uma saída de alta para o movimento lateral observado desde maio de 2025.
O Bitcoin, por sua vez, era cotado a US$ 84.602,90 no momento da análise, com alta de 1,14%. A criptomoeda chegou perto de US$ 87.500 em 21 de setembro e vinha oscilando entre US$ 83.000 e US$ 84.000. A publicação cita ainda uma máxima próxima de US$ 87.400 em maio de 2026 e uma mínima perto de US$ 57.000 em junho.
Para o investidor brasileiro, a análise tem um interesse duplo. O DXY mede o dólar contra moedas de países desenvolvidos, não contra o real, mas a valorização global da moeda americana costuma repercutir no câmbio local. Como a cotação do Bitcoin em reais combina o preço em dólar com o câmbio, entender que o dólar forte explica pouco do movimento do BTC ajuda a separar os dois efeitos na hora de avaliar a carteira.
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