XP, maior corretora independente do Brasil, prepara entrada no mercado de bitcoin
Guilherme Benchimol, presidente-executivo do Grupo XP, admitiu em setembro de 2018 que a entrada da empresa no mercado de criptomoedas foi motivada mais pela necessidade do que pelo entusiasmo. Dono da XP Investimentos, a maior corretora independente do país, o grupo anunciou que lançaria nos meses seguintes uma plataforma para negociação de bitcoin e ether.
A nova operação recebeu o nome de XDEX e seria administrada por Thiago Maffra, de forma independente das demais plataformas do grupo. A decisão colocou a XP entre as instituições financeiras tradicionais que começavam a se aproximar dos criptoativos em um momento de crescente interesse do público.
A declaração de Benchimol chamou atenção pela franqueza. "Devo confessar que esse é um tema que eu preferia que não existisse, mas ele existe. Nos sentimos obrigados a começar a avançar nesse mercado", afirmou. A fala resume a postura de parte do mercado financeiro tradicional na época: desconfiança em relação às criptomoedas, combinada com a percepção de que ignorá-las poderia significar perder clientes.
O contexto brasileiro ajuda a explicar a movimentação. Em reportagem do NewsBTC, a publicação afirma que a popularidade das criptomoedas no país era excepcionalmente alta, a ponto de os investidores terem cinco vezes mais exposição ao bitcoin do que a ações. A CVM, principal autoridade reguladora do mercado de capitais, havia divulgado orientações abrangentes para gestores de fundos interessados em incluir criptomoedas em suas carteiras.
O movimento da XP não era isolado no cenário internacional. A matéria lembra que a Intercontinental Exchange (ICE), controladora da Bolsa de Nova York, trabalhava com a Bakkt, plataforma de criptomoedas que contava com parceiros corporativos como Microsoft e Starbucks. Brian Kelly, da CNBC, chegou a classificar a notícia da Bakkt como "a maior notícia (cripto) do ano". A Nasdaq, por sua vez, estava adquirindo a fintech sueca Cinnober por US$ 190 milhões em dinheiro, com foco em tecnologia de análise e compensação para criptomoedas.
Para o investidor brasileiro, a entrada da XP representava uma mudança importante. Até então, quem queria comprar bitcoin dependia basicamente de corretoras especializadas em criptoativos, muitas delas pequenas e com estruturas pouco conhecidas. A chegada de uma instituição do porte da XP sinalizava a possibilidade de negociar criptomoedas em um ambiente associado a uma marca consolidada do mercado financeiro.
Ao mesmo tempo, a fala de Benchimol deixava claro que o entusiasmo era limitado, e que a empresa via o setor com cautela. Em setembro de 2018, a iniciativa funcionava como um teste para medir o apetite do investidor brasileiro por esse tipo de ativo em uma plataforma tradicional. O sucesso da XDEX dependeria da adesão dos clientes e da evolução da regulação no país.
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