XP lança a XTAGE e leva negociação de bitcoin e ether a clientes brasileiros em pleno mercado de baixa
Bitcoin e ether passaram a ser negociados em uma nova plataforma da XP Inc. em 15 de agosto de 2022, quando a corretora brasileira colocou no ar a XTAGE. O lançamento aconteceu em um momento pouco favorável para as criptomoedas, em meio a um mercado de baixa, mas com sinais de recuperação gradual que, segundo a leitura da reportagem, vinham devolvendo confiança a parte dos participantes do setor.
A XTAGE nasceu da colaboração entre três empresas. A XP respondeu pela operação e pela base de clientes, a Nasdaq forneceu a tecnologia de bolsa e a BitGo ficou com a custódia, armazenando os ativos em carteiras frias, desconectadas da internet, como camada adicional de segurança. A plataforma também foi integrada ao MetaTrader 5, software de negociação bastante usado por investidores mais ativos.
O anúncio foi feito pela própria Nasdaq em sua conta no Twitter. "A XTAGE representa um marco importante na democratização do acesso ao mercado de ativos digitais no Brasil", escreveu a bolsa norte-americana. Na estreia, apenas bitcoin e ether estavam disponíveis, mas a XP já havia informado em maio de 2022 que pretendia incluir outros ativos digitais mais adiante.
O acesso começou restrito. A XP tinha 3,6 milhões de usuários na época, mas nem todos puderam operar desde o primeiro dia. Segundo Lucas Rabechini, diretor de produtos financeiros da corretora, "os usuários da XP que podem acessar a plataforma XTAGE agora são aqueles com bons perfis de investimento". A liberação gradual indicava uma estratégia cautelosa de entrada no segmento.
A XP não foi a primeira grande instituição do país a abrir as portas para as criptomoedas. A reportagem da NewsBTC lembra que o Nubank, descrito como o principal banco para ativos digitais no Brasil e na América Latina, havia firmado parceria com a Paxos em 2021, e que o Mercado Pago passou a permitir a negociação de criptoativos por clientes brasileiros no mesmo ano. A XTAGE colocou a maior corretora independente do país nessa disputa.
Para o investidor brasileiro, a novidade significava poder comprar bitcoin e ether dentro do mesmo ecossistema em que já mantinha ações, fundos e títulos, sem migrar para uma corretora exclusivamente cripto. A presença de nomes como Nasdaq e BitGo na estrutura buscava transmitir confiança em relação à tecnologia e à guarda dos ativos, uma preocupação relevante depois de um ano marcado por forte queda nos preços. Ainda assim, a entrada de instituições tradicionais não elimina a volatilidade das criptomoedas, e o lançamento em pleno mercado de baixa servia de lembrete de que o momento de acesso facilitado não coincide, necessariamente, com um período de valorização.
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