Vírus que se espalha pelo WhatsApp mira bancos e corretoras de cripto no Brasil
Arquivos compactados enviados pelo WhatsApp se tornaram a porta de entrada de uma campanha de malware que, em novembro de 2025, colocou em alerta usuários de bancos e corretoras de criptomoedas no Brasil. Empresas de segurança identificaram um verme digital que rouba credenciais bancárias e chaves de carteiras cripto de pessoas comuns e se propaga sozinho pela lista de contatos das vítimas.
A escala chama atenção. Um grupo de pesquisadores relatou mais de 400 ambientes de clientes com sinais de comprometimento e mais de 1.000 dispositivos afetados. Outro grupo afirmou ter bloqueado cerca de 62 mil tentativas de infecção apenas nos primeiros dez dias de outubro. Os alvos incluem 26 bancos brasileiros, seis corretoras de criptomoedas e uma plataforma de pagamentos.
O golpe começa com mensagens disfarçadas de aviso de entrega, alerta do governo ou convite para grupo. Elas trazem arquivos ZIP com atalhos maliciosos no formato .LNK. Ao abrir o atalho, a vítima executa comandos que carregam código diretamente na memória do computador, uma infecção chamada de "sem arquivo", que dificulta a detecção por antivírus. Em seguida, o malware sequestra a sessão do WhatsApp Web e dispara a mesma mensagem para os contatos da vítima. Como resumiram os pesquisadores, "um clique pode permitir que a ameaça se espalhe pelos contatos enquanto um trojan escondido extrai dados".
Duas variantes foram identificadas. A Eternidade Stealer funciona como trojan bancário e usa contas do Gmail como canal oculto de comando. A Maverick recorre a ferramentas de automação como o WPPConnect para controlar o WhatsApp Web. Ambas só atacam máquinas configuradas para o Brasil, com base no fuso horário e no idioma. De acordo com a descrição publicada pelo Bitcoinist, o malware "pode capturar telas, registrar o que é digitado e sobrepor páginas falsas de login em sites de bancos ou corretoras". Os criminosos ainda evitam contatos comerciais e grupos, limitando a propagação a círculos pessoais para atrasar a descoberta.
A escolha do país não é aleatória. O Brasil ocupa o quinto lugar no Índice Global de Adoção de Cripto 2025 da Chainalysis e lidera o uso de criptomoedas na América Latina, o que torna usuários locais um alvo atraente, especialmente pela combinação de alto uso do WhatsApp e de serviços financeiros digitais.
Para o leitor, as recomendações dos especialistas são diretas. A principal é "não abrir arquivos ZIP ou .LNK recebidos pelo WhatsApp, mesmo de contatos conhecidos", e confirmar por outro canal quando alguém enviar algo inesperado. Também é indicado ativar a autenticação em dois fatores em todas as contas financeiras e usar listas de endereços autorizados para saque nas corretoras que oferecem esse recurso.
Se houver suspeita de infecção, a orientação é bloquear imediatamente as contas comprometidas e avisar bancos, corretoras e autoridades. Quem guarda criptomoedas em carteiras no próprio computador deve redobrar o cuidado, porque chaves privadas capturadas permitem a transferência dos fundos sem possibilidade de estorno.
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