Tarifa de Trump mira o Pix enquanto stablecoins em dólar dominam o mercado cripto brasileiro
Tarifas de 25% sobre a maior parte das importações brasileiras, com vigência marcada para 22 de julho de 2026, colocaram o Pix no centro de uma disputa comercial entre Washington e Brasília. Em julho de 2026, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, concluiu uma investigação de um ano com base na chamada Seção 301, que examinou comércio digital e pagamentos eletrônicos, e incluiu o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro entre as práticas consideradas desleais.
O órgão concluiu que o Brasil "prejudicou injustamente" empresas norte-americanas de pagamentos eletrônicos por meio de políticas que favorecem o Pix. Não houve, porém, uma tarifa específica sobre o sistema. Os pagamentos eletrônicos entraram como parte da justificativa para a tarifa ampla sobre produtos brasileiros, o que insere o Pix em uma disputa comercial maior, e não em uma discussão restrita ao mercado de criptomoedas.
O peso do Pix ajuda a explicar a atenção. Lançado pelo Banco Central em 2020, o sistema se tornou peça central dos pagamentos domésticos e processou 63 bilhões de transações em 2024, que somaram R$ 26,4 trilhões. A adoção ampliou a concorrência com as bandeiras de cartão e com outros serviços de pagamento, justamente o ponto contestado pelos norte-americanos.
Enquanto isso, o dólar ganha espaço por outro caminho. Reportagem do crypto.news aponta que as stablecoins atreladas à moeda norte-americana respondem por cerca de 90% dos fluxos de criptoativos reportados no país. Na região, tokens pareados ao dólar representaram 40% das compras de criptomoedas na Bitso em 2025, superando as aquisições de bitcoin. A ponte com o sistema brasileiro também avançou: em junho, a Oobit, apoiada pela Tether, passou a aceitar o Pix, permitindo depositar reais, manter USDT e pagar por meio de chaves Pix ou QR codes.
O Banco Central, por sua vez, estabeleceu limites. A Resolução BCB nº 561 impede que ativos virtuais sejam usados para liquidar pagamentos dentro dos canais regulados de câmbio eletrônico. A norma não proíbe a circulação de stablecoins em corretoras e carteiras digitais; o que ela veda é o uso desses ativos por prestadores regulados de câmbio eletrônico em pagamentos internacionais cobertos pela regra, mantendo a liquidação dentro de canais aprovados.
O texto lembra ainda que, durante a presidência brasileira do BRICS em 2025, o país defendeu alternativas de pagamento baseadas em blockchain para liquidações internacionais, mas rejeitou a ideia de criar uma moeda comum para substituir o dólar. Para o leitor brasileiro, o efeito mais direto da tarifa recai sobre exportadores e cadeias ligadas ao comércio com os Estados Unidos. A medida, tal como descrita, não cria cobrança sobre o uso do Pix, mas mostra que a infraestrutura de pagamentos do país passou a ser tratada como tema de política comercial, ao mesmo tempo em que o dólar digital avança no dia a dia de quem usa criptomoedas.
O que você achou desta notícia?
+
Carregando reações dos leitores…
Mais conteúdos para você
Do mesmo assunto e outras leituras recentes do arquivo.
Pessimismo domina as conversas sobre XRP e humor nas redes cai ao pior nível desde agosto
Mercado · Bitcoin.com News
Acionistas aprovam fusão e tesouraria de XRP da Evernorth deve estrear na bolsa americana em outubro
Mercado · Bitcoin.com News
Volume de apostas esportivas em mercados de previsão quase dobra e ações de Flutter e DraftKings desabam
Mercado · Bitcoin.com News
Reguladores de Nova York e Wyoming firmam acordo para encurtar licenciamento de empresas cripto
Mercado · Bitcoin.com News
Zcash devolve 21% após máxima de US$ 1.698, pressionado por saída de ETF e rastro de hackers
Mercado · Decrypt
MetaMask tira milhares de validadores do Ethereum após desvio de apenas 0,36 ETH em gorjetas
Mercado · Bitcoin.com News