Senador Tim Scott culpa democratas pelo fracasso do Clarity Act e cobra regras da SEC e da CFTC
Para o senador republicano Tim Scott, da Carolina do Sul, a responsabilidade pelo fracasso do Clarity Act, projeto que criaria regras para o mercado de ativos digitais nos Estados Unidos, é inteiramente da bancada democrata. A avaliação está em um artigo de opinião assinado por ele e publicado pelo CoinDesk em 29 de setembro de 2026.
O ponto de partida do texto é a votação realizada na semana anterior à publicação, a menos de 40 dias das eleições americanas. Segundo Scott, nenhum senador democrata votou para fazer o projeto avançar. O senador afirma que ao menos 12 democratas do Senado haviam dito que queriam aprovar uma legislação para o setor, o que, na visão dele, torna o resultado ainda mais difícil de justificar.
Scott sustenta que republicanos e parte dos democratas negociaram o texto por mais de um ano. Ele lista uma série de concessões que, segundo afirma, foram feitas para atrair apoio: mais de 120 mudanças pedidas pelos democratas teriam sido incorporadas, as regras de ética teriam sido ampliadas, inclusive com dispositivos relacionados ao presidente Donald Trump, e passariam a alcançar autoridades eleitas e seus cônjuges. O senador cita ainda um papel significativo para os procuradores-gerais estaduais na fiscalização e ferramentas adicionais contra lavagem de dinheiro para os órgãos de aplicação da lei. Esses números e concessões são apresentados pelo autor e não vêm acompanhados de documentação no artigo.
Na argumentação do senador, o Clarity Act estabeleceria regras de funcionamento para os ativos digitais, protegeria o dinheiro suado dos americanos comuns, reduziria custos de transações, aceleraria a movimentação de recursos e ajudaria pequenos negócios a crescer. São projeções do autor sobre os efeitos do projeto, e não resultados comprovados.
Diante da derrota, Scott diz ter pedido à SEC, a comissão de valores mobiliários americana, e à CFTC, que regula o mercado de derivativos, que estabeleçam regras claras para o setor por conta própria. Na prática, isso sinaliza a tentativa de obter pela via regulatória parte do que não passou pelo Congresso.
Vale ressaltar que o texto é classificado pelo CoinDesk como opinião e reflete a posição de um parlamentar republicano em pleno período eleitoral. O próprio veículo publicou em paralelo uma reportagem sobre como meses de trabalho no Clarity Act desmoronaram, que pode oferecer outras perspectivas sobre o que aconteceu nas negociações.
Para o investidor brasileiro, o impasse importa porque os Estados Unidos concentram boa parte da liquidez global de criptoativos, e a falta de um marco legal por lá mantém incerteza sobre a atuação de corretoras, emissores de tokens e gestoras que também operam no Brasil.
Para quem acompanha o mercado, o artigo mostra que a regulação cripto americana virou tema de disputa eleitoral e que a aprovação de uma lei abrangente ficou mais distante no curto prazo. O foco agora tende a se voltar para o que SEC e CFTC farão por meio de normas próprias, e para o resultado das eleições, que pode redefinir as chances de o projeto voltar à pauta.
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