Sem advogado, 'rei das criptos' canadense fará a própria defesa em processo de fraude de 40 milhões
Autodenominado "Crypto King" do Canadá, Aiden Pleterski, de 27 anos, vai se defender sozinho no julgamento em que responde por fraude e lavagem de dinheiro. Segundo a Decrypt, o juiz Shaun Nakatsuru, da Corte Superior de Ontário, negou o pedido do acusado para adiar o processo e ganhar tempo para contratar um advogado.
Ao rejeitar o adiamento, o magistrado tentou tranquilizar o réu. "Quero lhe assegurar que, mesmo que esta não seja sua primeira escolha, você terá um julgamento justo", afirmou Nakatsuru, de acordo com a publicação. O juiz declarou ainda que assumirá um papel ampliado para proteger os direitos do acusado, inclusive levantando objeções em nome dele para impedir que provas inadmissíveis cheguem ao júri.
O julgamento, com júri, ocorre em Toronto e está previsto para durar quatro semanas. Pleterski é acusado de fraude acima de 5.000 dólares e de lavagem de produtos de crime. Ele nega todas as acusações.
O caso nasceu de uma investigação conjunta da Polícia Regional de Durham com a Comissão de Valores Mobiliários de Ontário, descrita como a maior investigação de fraude da história daquela força policial. De acordo com a Decrypt, investidores entregaram cerca de 40 milhões de dólares a Pleterski para que ele operasse criptomoedas e câmbio em nome deles.
A falência do empresário foi decretada no verão de 2022. O administrador do processo, a Grant Thornton, concluiu que Pleterski investiu menos de 2% do dinheiro recebido e gastou aproximadamente 16 milhões de dólares consigo mesmo, conclusão que ele contesta. Até agora, o processo falimentar recuperou cerca de 3 milhões de dólares, a serem divididos entre aproximadamente 160 investidores. No fim de 2022, Pleterski foi sequestrado e torturado, e os criminosos exigiram um resgate de 3 milhões de dólares.
Na audiência sobre o adiamento, o advogado Marco Sciarra, que representou Pleterski nessa etapa, argumentou que o cliente tentava levantar recursos para pagar a defesa no julgamento e que familiares estavam dispostos a liquidar bens para isso. O promotor Scott Patterson contestou a falta de detalhes sobre esses planos e acusou o réu de não agir com honestidade.
Há ainda um corréu no processo. Colin Murphy responde a uma acusação de fraude e passou cinco meses preso a partir de fevereiro por desacato, depois de se recusar a entregar um iPhone às autoridades. Ele foi solto em março.
Para quem acompanha o mercado de criptoativos, o caso Pleterski é um lembrete de como promessas de ganhos com operações em cripto e câmbio podem esconder a simples apropriação do dinheiro de clientes. O desfecho do julgamento deve servir de referência para a forma como a Justiça canadense trata esquemas desse tipo, e a baixa recuperação dos valores até aqui mostra o tamanho do prejuízo que costuma sobrar para os investidores.
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