Ripple amplia presença no Brasil e vai pedir licença de prestadora de ativos virtuais ao Banco Central
Pagamentos internacionais, custódia de ativos digitais, stablecoin, corretagem institucional e gestão de tesouraria passam a ser oferecidos pela Ripple de forma integrada no mercado brasileiro. A empresa anunciou em 17 de março de 2026 a ampliação de sua presença no país e informou que pretende solicitar ao Banco Central a licença de prestadora de serviços de ativos virtuais, dentro do novo marco regulatório.
A presidente da Ripple, Monica Long, justificou a aposta. "A América Latina sempre foi um mercado prioritário para a Ripple, não apenas pela escala da oportunidade, mas porque o Brasil construiu um dos ecossistemas financeiros mais avançados e inovadores do mundo", afirmou. A companhia se apresentou como a única solução da região capaz de atender instituições em todo o espectro de necessidades financeiras, dos pagamentos internacionais à custódia, passando pela corretagem e pela gestão de tesouraria.
Na frente de pagamentos, a Ripple Payments já processou mais de US$ 100 bilhões em mais de 60 mercados. No Brasil, instituições como Banco Genial, Braza Bank, Nomad, Azify, ATTRUS e Frente Corretora usam o serviço para lidar com liquidez, liquidação e transações internacionais, tanto em moeda tradicional quanto em stablecoins, o que pode reduzir a dependência dos bancos correspondentes.
A custódia também chega ao país, com segurança de padrão bancário, triagem de conformidade em tempo real por meio de integrações com Chainalysis e Elliptic, além de suporte a tokenização e staking. Os parceiros CRX e Justoken já liquidaram quase US$ 100 milhões em blockchain, e há mais de US$ 1,7 bilhão em ativos tokenizados no XRP Ledger. A stablecoin da empresa, a Ripple USD (RLUSD), tem valor de mercado acima de US$ 1,5 bilhão e é usada por plataformas como Mercado Bitcoin, Foxbit, Ripio, Braza Bank, Banco Genial e Attrus.
Completam a oferta a Ripple Prime e a Ripple Treasury, que dão acesso a compensação, financiamento e gestão de liquidez em mercados que movimentam mais de US$ 3 trilhões por ano. Em reportagem do Bitcoin.com News, a expansão foi descrita como uma tentativa de ocupar o centro da infraestrutura cripto institucional do país, embora a própria publicação ressalte que o sucesso dependerá da capacidade de se diferenciar diante da concorrência de empresas nativas do setor e de instituições financeiras tradicionais.
Para o leitor brasileiro, o movimento tem efeito sobretudo indireto. A Ripple atende instituições, e não o investidor comum, mas bancos, fintechs e corretoras que usam seus serviços podem oferecer remessas internacionais mais rápidas e produtos em dólar digital. O pedido de licença mostra ainda que grandes empresas globais do setor pretendem se adequar às regras do Banco Central, em vez de operar à margem delas, o que tende a reforçar a regulação local como referência na região.
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