RedotPay rebate atraso na abertura de capital e conclui auditorias com firmas do Big Four
Sediada em Hong Kong, a RedotPay, empresa de pagamentos com stablecoins, concluiu uma auditoria financeira como parte da preparação para abrir capital nos Estados Unidos. A companhia também finalizou uma revisão separada de seus controles contra lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo. Os dois trabalhos foram feitos por firmas do chamado Big Four, o grupo das quatro maiores empresas de auditoria do mundo, mas a RedotPay não revelou quais foram contratadas.
O serviço da RedotPay funciona por meio de um aplicativo no celular, no qual o usuário guarda stablecoins, que são criptomoedas atreladas ao valor de moedas tradicionais como o dólar. Esse saldo pode ser gasto com um cartão Visa vinculado à conta ou enviado para outros países. Em julho de 2026, a empresa informou ter 8,5 milhões de usuários.
O anúncio responde a uma reportagem da Bloomberg publicada em agosto, segundo a qual a RedotPay teria adiado sua listagem nos EUA por causa de questões regulatórias e jurídicas, o que poderia empurrar a oferta pública inicial, o IPO, para 2027 ou mais tarde. Um porta-voz negou esse cenário ao afirmar que não houve adiamento e que a empresa continua trabalhando com seus parceiros no processo. Nenhuma data para a estreia na bolsa, porém, foi divulgada.
De acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto, a RedotPay mira uma avaliação acima de US$ 5 bilhões. A mesma fonte afirmou que o volume de transações bateu recorde no segundo trimestre e que as margens operacionais passaram de 50%. Esses números não foram confirmados oficialmente pela empresa.
Michael Gao, cofundador e presidente-executivo da companhia, explicou que as auditorias foram realizadas para reforçar a confiança nos relatórios financeiros e nos padrões de conformidade da empresa. A revisão dos controles contra lavagem de dinheiro é particularmente relevante para um negócio que movimenta recursos entre países e opera com criptoativos, dois pontos que costumam atrair atenção de reguladores.
A insistência da RedotPay contrasta com o movimento de outras companhias do setor. Payward, controladora da corretora Kraken, Consensys, Ledger e Grayscale também adiaram seus planos de abrir capital em meio a condições de mercado mais fracas. Ao manter o processo em andamento, mesmo sem data definida, a RedotPay tenta se diferenciar desse grupo e afastar a imagem de que também teria recuado.
Para o leitor brasileiro, o caso ajuda a entender como as stablecoins vêm sendo usadas além da especulação. Modelos como o da RedotPay, que unem carteira digital, cartão de pagamento e transferências internacionais em um único aplicativo, mostram a tentativa de transformar essas moedas digitais em ferramenta de uso cotidiano, e a possível chegada da empresa à bolsa americana será um teste do apetite de investidores por esse tipo de negócio.
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