Receita Federal registra mais de 12 mil empresas com criptomoedas no balanço
Empresas brasileiras com criptomoedas declaradas no balanço passaram de 12 mil em agosto de 2022, segundo dados da Receita Federal divulgados em outubro daquele ano. Foram 12.053 companhias no mês, um avanço de 6,1% em relação às 11.360 registradas em julho, sinal de que o interesse corporativo pelos criptoativos seguia crescendo mesmo em um ano de forte queda nos preços.
Entre as pessoas físicas, o movimento foi diferente. O número de investidores individuais que declararam operações caiu para 1,3 milhão em agosto, com um total de US$ 2,1 bilhões em ativos. Ainda assim, a adoção no país era considerada ampla: estimativas citadas na reportagem apontavam que 7,8% da população, cerca de 16 milhões de pessoas, possuíam alguma criptomoeda.
Os dados de transações revelam o papel crescente das stablecoins. O Tether (USDT) liderou em valor movimentado, com mais de US$ 1,42 bilhão em agosto, distribuído em cerca de 80 mil operações, o que resulta em uma média de US$ 17.500 por transação. O Bitcoin movimentou quase US$ 270 milhões, mas em mais de 2,1 milhões de operações, com média de apenas US$ 130 cada. O contraste sugere perfis distintos: o USDT concentrando operações de maior valor e o Bitcoin sendo negociado em pequenas quantias por muitos investidores.
Em termos de patrimônio declarado, o Bitcoin seguia como o principal ativo, com o Tether logo atrás. Em reportagem do NewsBTC, a publicação também mencionou uma pesquisa segundo a qual 77% dos entrevistados declararam confiar nos ativos digitais em setembro de 2022, indicador de que a percepção sobre o setor era majoritariamente positiva entre os participantes.
O mercado também atraía as grandes corretoras internacionais. A Binance abriu dois novos escritórios, em São Paulo e no Rio de Janeiro, em 4 de outubro de 2022, com mais de 150 funcionários. A expansão reforçava a leitura de que o Brasil havia se tornado um dos mercados prioritários para o setor na região.
O contexto macroeconômico ajudava a explicar parte do interesse. A inflação brasileira havia recuado de 12,1% em abril para 8,7% em agosto de 2022, mas ainda estava em patamar elevado, o que mantinha a busca por alternativas de proteção patrimonial, incluindo moedas digitais atreladas ao dólar.
Para o leitor brasileiro, os números mostram a importância das declarações exigidas pela Receita Federal. Desde 2019, empresas e pessoas físicas que realizam operações com criptoativos acima de determinados limites precisam informá-las ao Fisco, e são esses registros que permitem acompanhar a evolução do mercado. Na prática, o crescimento das empresas com cripto no balanço indica que os ativos digitais deixaram de ser apenas aposta de pessoas físicas e passaram a fazer parte da gestão de caixa e dos negócios de milhares de companhias no país.
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