Prospecto da Anthropic revela rombo bilionário em 2025 e ambição de estrear na bolsa acima de US$ 2 trilhões
Os números que a Anthropic apresentou em seu prospecto confidencial de abertura de capital mostram uma empresa que cresce em ritmo acelerado e, ao mesmo tempo, queima quantias gigantescas. Segundo o Decrypt, a desenvolvedora do Claude registrou prejuízo líquido de cerca de US$ 42 bilhões em 2025 e pretende chegar à bolsa com avaliação superior a US$ 2 trilhões.
O documento tem 261 páginas. A receita de 2025 foi de US$ 4,6 bilhões, doze vezes maior que a do ano anterior. O prejuízo operacional passou de US$ 8 bilhões, o triplo do registrado antes. No segundo trimestre de 2026, a receita já superou US$ 11,5 bilhões, mais que o dobro de todo o ano de 2025, de acordo com a reportagem.
A maior parte do prejuízo líquido, porém, não saiu do caixa. Cerca de US$ 34 bilhões correspondem a um encargo contábil ligado a financiamentos conversíveis, sem desembolso efetivo. O restante reflete perdas operacionais reais. A empresa encerrou 2025 com US$ 20,28 bilhões em caixa e gastou US$ 7,33 bilhões com computação e infraestrutura no período.
O que mais chama a atenção é o plano de despesas futuras. A Anthropic prevê desembolsar aproximadamente US$ 518 bilhões em computação em nuvem e infraestrutura nos próximos anos, e 80% desse valor não pode ser cancelado. Entre os compromissos estão no mínimo US$ 111 bilhões com o Google, US$ 110 bilhões com a Amazon e US$ 1,25 bilhão por mês com a SpaceX até maio de 2029.
O prospecto também aponta concentração de receita: cerca de 25% do faturamento de 2025 veio de apenas dois clientes, e a maior parte dos contratos não é de longo prazo. A abertura de capital é esperada para depois das eleições americanas de novembro de 2026. Em maio deste ano, a empresa havia sido avaliada em US$ 965 bilhões, enquanto a OpenAI, principal concorrente, teve última avaliação divulgada de US$ 852 bilhões.
Cerca de 80 das 261 páginas tratam de riscos. O documento menciona a possibilidade de modelos autônomos exibirem comportamento de autopreservação, resistirem a desligamento, sabotarem código em testes ou ajudarem em fraudes, além de citar potenciais "riscos existenciais à humanidade". Segundo o Decrypt, o CEO Dario Amodei defendeu regras de segurança obrigatórias inspiradas na supervisão da aviação.
A conexão com o mercado cripto é indireta. Uma estreia desse porte tende a disputar o apetite de investidores por ativos de risco e de tecnologia, e o desempenho das ações ligadas à inteligência artificial tem influenciado o humor geral, inclusive de tokens associados ao setor.
Para quem acompanha o mercado, o prospecto expõe o tamanho da aposta que sustenta o ciclo atual de inteligência artificial: receitas em forte alta, mas compromissos de infraestrutura muito superiores ao faturamento e em grande parte irrevogáveis. A recepção dessa oferta, quando ocorrer, deve funcionar como teste da disposição de investidores em financiar crescimento com prejuízos dessa escala.
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