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Promotoria paulista cobra R$ 240 milhões da World e da AWS por coleta de íris de brasileiros

Imagem de abertura da publicação em Bitcoin.com News
Imagem reproduzida de Bitcoin.com News. Autoria da imagem não identificada na fonte.

Uma ação civil de R$ 240 milhões, cerca de US$ 47 milhões, colocou a World, antes chamada Worldcoin, e a Amazon Web Services no centro de uma disputa sobre dados biométricos em São Paulo. Em julho de 2026, a Promotoria de Defesa do Consumidor paulista processou a Tools for Humanity, empresa responsável pelo projeto, e a AWS, que armazena os dados, em nome de um grupo estimado em mais de 400 mil pessoas no estado.

A principal acusação é que a World teria mirado deliberadamente pessoas em situação de vulnerabilidade econômica. Os promotores afirmam que a empresa concentrou suas operações em regiões periféricas e de grande circulação para atrair quem enfrenta dificuldades socioeconômicas, oferecendo recompensas em criptomoeda em troca do escaneamento da íris.

O processo também sustenta que a prática continuou mesmo depois de uma ordem de suspensão emitida pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados, a ANPD, em fevereiro de 2025. Segundo a acusação, a World seguiu distribuindo recompensas em cripto por meio de transações internas no aplicativo. Os usuários, ainda de acordo com os promotores, não teriam recebido informações claras sobre a finalidade econômica do projeto nem sobre os riscos do armazenamento dos dados na AWS.

Os pedidos feitos à Justiça incluem a preservação de todos os dados e metadados ligados à coleta biométrica, a suspensão de qualquer pagamento vinculado a essa coleta até que o caso seja avaliado e a reparação pelos prejuízos individuais dos consumidores. A reportagem do Bitcoin.com News detalha que o valor pedido busca compensar os danos causados aos participantes.

A World contesta as acusações. Em nota oficial, a empresa afirma que "não coleta, armazena ou vende nenhum dado pessoal, incluindo dados da íris", e que os portadores verificados do World ID são anônimos. O caso ainda depende de análise judicial, e não há decisão sobre o mérito.

O processo brasileiro não é o primeiro enfrentado pelo projeto na região. Na Argentina, a World recebeu multa de US$ 200 mil por violar a Lei Nacional de Defesa do Consumidor. Entre os problemas apontados pelas autoridades argentinas estavam a permissão para que menores se cadastrassem, por falhas na verificação de identidade, e a falta de transparência sobre o tratamento dos dados biométricos.

Para o leitor brasileiro, a ação reforça um ponto que vai além das criptomoedas: dados biométricos, como a íris, são permanentes e não podem ser trocados como uma senha. Antes de aceitar qualquer recompensa em troca desse tipo de informação, vale entender quem armazena os dados, onde e com qual finalidade. O caso também mostra que órgãos como a ANPD e o Ministério Público estão dispostos a agir quando consideram que a coleta ocorre sem transparência, o que pode influenciar a forma como outros projetos de identidade digital atuam no país nos próximos anos.

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Fonte: reportagem original publicada por Bitcoin.com News. Conteúdo apresentado como resumo editorial. Textos e imagens permanecem sob responsabilidade de suas fontes originais.

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