Polícia Federal mira apostas ilegais e lavagem com cripto em operação no Brasil
Oitenta e sete empresas entraram na mira da Polícia Federal em julho de 2026 em uma operação contra uma rede suspeita de explorar apostas ilegais e de lavar dinheiro com o uso de criptoativos. Batizada de Véu de Maya, a ação cumpriu nove mandados de busca e apreensão em São Paulo, Ribeirão Preto, Porto Alegre e Canoas, a partir de informações repassadas pelo Ministério da Fazenda e pela Secretaria de Prêmios e Apostas, a SPA.
O nome da operação faz referência à ideia de um véu que encobre a realidade. De acordo com a investigação, as empresas envolvidas funcionariam como fachada: apresentavam objetivos sociais falsos enquanto escondiam suas verdadeiras atividades. A Polícia Federal informou que "os investigados podem responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, organização criminosa e outros delitos que venham a ser identificados ao longo da investigação". Como em toda apuração em andamento, os alvos ainda não foram julgados.
O caso foi relatado pelo portal Bitcoin.com News, em texto de Sergio Goschenko, que situou a operação dentro de um cenário mais amplo de endurecimento contra o mercado paralelo de apostas. A reportagem lembra que o presidente Lula anunciou a proibição de cassinos online ilegais e que o Brasil vetou, em abril de 2026, o funcionamento de mercados de previsão. Uma nota técnica da SPA afirmou que essas plataformas "simplesmente reproduzem os elementos essenciais das apostas de quota fixa" e, portanto, precisariam de licença para operar.
Os números ajudam a explicar o interesse do governo no tema. Segundo a matéria, o mercado legal de apostas gerou o equivalente a US$ 869 milhões em arrecadação tributária nos quatro primeiros meses de 2026. Ao mesmo tempo, as estimativas indicam que o mercado ilegal responde por cerca de metade de todo o volume apostado no país, o que representa uma perda relevante de receita e um espaço aberto para esquemas de lavagem.
A presença de criptoativos na investigação reforça uma preocupação recorrente das autoridades: a de que carteiras digitais e transferências entre plataformas sejam usadas para dificultar o rastreamento de recursos. A cooperação entre Polícia Federal, Fazenda e SPA mostra que os dados das apostas regulamentadas passaram a alimentar investigações criminais, cruzando informações fiscais e financeiras.
Para o leitor brasileiro, há dois recados. O primeiro é que apostar em sites sem autorização envolve riscos que vão além da perda do dinheiro, já que essas plataformas podem estar ligadas a esquemas investigados. O segundo é que o uso de criptomoedas não garante anonimato diante de investigações coordenadas. Operações como a Véu de Maya tendem a aumentar a pressão sobre corretoras e intermediários de pagamento para identificar clientes e comunicar movimentações suspeitas, o que pode se refletir em mais exigências de cadastro para usuários comuns.
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