PF desmonta esquema ligado ao PCC que teria lavado US$ 2 bilhões com cripto entre Flórida e Brasil
Cinquenta policiais federais foram às ruas no estado de São Paulo para cumprir 24 mandados contra uma organização acusada de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital, o PCC. A Operação Exchange foi deflagrada numa sexta-feira do início de julho de 2026 pela Polícia Federal, com 13 mandados de busca e apreensão e 11 de prisão temporária.
De acordo com as autoridades, o grupo mantinha um sistema estruturado para movimentar recursos ilícitos entre a Flórida, nos Estados Unidos, e o Brasil. O esquema combinava transações com criptomoedas, grandes transferências bancárias e transporte de dinheiro em espécie. O volume estimado de recursos lavados chega a cerca de US$ 2 bilhões.
Dois nomes aparecem no centro da investigação. Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira haviam sido incluídos, em 1º de julho de 2026, na lista de sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), do Departamento do Tesouro norte-americano. Na mesma medida, foram sancionadas três empresas brasileiras e uma portuguesa por suas conexões com a facção. O Tesouro descreveu Shimada como "um elo fundamental" nas operações e afirmou que ele ajudou a lavar "mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos" gerados em várias cidades dos Estados Unidos.
Stella foi presa durante a operação, mas Shimada continua foragido. Em reportagem do Bitcoin.com News, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a designação feita pelos Estados Unidos dias antes atrapalhou a coordenação do trabalho. "Se não tivesse havido essa designação, talvez o resultado fosse diferente, e poderíamos ter localizado essa pessoa", declarou. A fala sugere que o anúncio público das sanções pode ter alertado o investigado antes da ação da PF.
O caso ocorre num contexto de pressão internacional sobre as facções brasileiras. Em maio de 2026, o governo de Donald Trump classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas globais especialmente designadas, o que amplia as ferramentas de sanção financeira dos Estados Unidos contra pessoas e empresas ligadas a esses grupos.
Para o leitor brasileiro, a operação mostra como criptoativos se tornaram parte das engrenagens de lavagem usadas pelo crime organizado, ao lado de métodos tradicionais como transporte de dinheiro vivo. Também ajuda a explicar o endurecimento das regras de prevenção à lavagem de dinheiro aplicadas às corretoras no país, com exigências de identificação de clientes e monitoramento de transações. Para o usuário comum, a principal consequência tende a ser mais checagens em depósitos, saques e transferências, um custo operacional que o setor passou a enfrentar em nome da integridade do mercado.
A investigação segue em andamento, e a situação jurídica dos envolvidos ainda será definida pela Justiça. Até lá, os suspeitos são considerados investigados, e as acusações dependem de confirmação no processo.
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