OranjeBTC prepara ETF DIGY11 na B3 com renda mensal ligada à Strategy e à Strive
Renda mensal em reais, apoiada em instrumentos de crédito emitidos por empresas que acumulam bitcoin nos Estados Unidos, é a proposta do DIGY11, fundo de índice apresentado pela OranjeBTC durante o Blockchain Rio, em agosto de 2026. A companhia brasileira, uma das principais tesourarias corporativas de bitcoin do país, informou que o produto deve estrear na B3 em setembro, oferecendo exposição aos papéis de crédito digital da Strategy, negociados com o código STRC, e da Strive, com o código SATA.
A estrutura envolve três participantes locais. A gestão ficará com a 3R Investimentos, o índice de referência será calculado pela MarketVector e a administração caberá ao Banco Daycoval. O ETF será negociado em reais, contará com proteção cambial e não investirá diretamente em bitcoin. Para que novos emissores entrem na carteira no futuro, será preciso manter pelo menos 50% dos ativos em bitcoin e deter no mínimo 4.000 BTC, critério que restringe o fundo a empresas com balanços fortemente concentrados na criptomoeda.
O objetivo de rendimento divulgado é o da taxa de depósito interbancário, o CDI, acrescida de até 5% ao ano, com distribuição mensal aos cotistas. Trata-se de uma meta apresentada pela empresa, e não de um retorno garantido. O pagamento dependerá da capacidade das emissoras norte-americanas de honrar os dividendos de seus instrumentos, que por sua vez estão ligados à saúde financeira de companhias com grande exposição ao bitcoin.
Em reportagem do Bitcoin.com News, o fundador e presidente-executivo da OranjeBTC, Guilherme Gomes, explicou a inspiração do produto. "Desenvolvemos o DIGY11 com base na revolução que a Strategy e a Strive estão promovendo no mercado de capitais dos EUA. São instrumentos que combinam renda recorrente com alta proteção patrimonial, lastreados por alguns dos maiores balanços em bitcoin do mundo", disse. Ele acrescentou que, "para cada dólar de distribuição anual, há uma cobertura patrimonial relevante em bitcoin e caixa", e definiu a estrutura como diferenciada por combinar renda recorrente com ativos globais, líquidos e escassos.
O lançamento também recebeu apoio do outro lado do continente. Michael Saylor, presidente executivo do conselho da Strategy, afirmou que ver o produto chegar a investidores latino-americanos por meio de um veículo local e regulado "é exatamente o tipo de expansão que o STRC foi criado para viabilizar".
Para o investidor brasileiro, o DIGY11 abre uma porta para instrumentos até então acessíveis principalmente no mercado norte-americano, sem a necessidade de abrir conta no exterior ou de lidar diretamente com o dólar. A comparação com o CDI coloca o produto no radar de quem busca renda, mas o risco é de natureza diferente do de um título de renda fixa tradicional: a remuneração está atrelada a empresas cuja solidez depende em grande parte do comportamento do bitcoin. Antes de investir, vale ler o regulamento, entender a composição do índice e avaliar se essa exposição combina com o próprio perfil.
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