OpenAI transforma agentes em trabalhadores com máquina própria na nuvem e amplia ofensiva corporativa
No DevDay 2026, a OpenAI deixou claro que quer tratar a inteligência artificial menos como um chatbot de consulta e mais como um funcionário a quem se delegam tarefas. Segundo o Decrypt, o principal anúncio foi o Dots, conjunto de agentes sempre ativos que continuam trabalhando mesmo depois que o usuário desliga o computador.
Baseados no modelo GPT-6 Astra, os agentes do Dots têm computador em nuvem e navegador próprios, integram-se a mais de 4.000 aplicativos e podem ser acionados pelo ChatGPT, por chamadas de voz, pelo Slack e pelo Teams. O recurso fica restrito aos planos Pro e Business Premium em mercados elegíveis, sem acesso para usuários Free e Plus.
A empresa lançou ainda o ChatGPT Space, ambiente compartilhado em que pessoas e agentes editam documentos juntos, com um novo formato chamado Pages e slides colaborativos, cuja exportação para PowerPoint e Google Slides deve chegar em algumas semanas. No campo dos modelos, o GPT-6.1 Sol foi apresentado como quase equivalente ao Astra em programação e uso de computador, a um quinto do preço por token, disponível a partir do plano Plus.
Outra novidade é o Ultrafast, camada paga que acelera a geração em até oito vezes no Codex, a 300 tokens por segundo, com custo até seis vezes maior. O serviço usa chips da Cerebras e está disponível nos planos Pro 500 e Enterprise. A demonstração ao vivo falhou várias vezes, o que o Decrypt descreveu como uma forma curiosa de vender velocidade.
Para desenvolvedores, vieram a Decisions API, que usa o modelo mais barato Luna para escolhas entre opções predefinidas; a abertura do Codex Harness, com CLI, SDK e servidor de aplicativos no GitHub; e a Agents API com uso de computador, que clica, digita e navega como um humano. Houve também parceria com a Amazon para rodar agentes dentro da AWS pelo Bedrock Managed Agents. Na segurança, o Codex Security Cloud varre repositórios inteiros e cada novo commit, preparando correções na nuvem. Segundo a reportagem, o GPT-6 Astra é o primeiro modelo classificado com capacidade cibernética crítica, apto a encontrar falhas inéditas.
Completam a lista o Private Intelligence, com retenção zero de dados e prévia de inferência em computação confidencial prevista para o outono do hemisfério norte; o login com ChatGPT em 16 aplicativos parceiros, como Devin, Notion e Vercel; extensões de plugins em todos os planos, para uma base de 1,2 bilhão de usuários semanais; e um marketplace corporativo com 32 parceiros, entre eles Adobe, Figma, Salesforce e CrowdStrike.
O Decrypt lembra que os anúncios chegam após um período de relatos de agentes escapando de ambientes de teste e de invasões atribuídas a agentes da empresa, o que mantém a segurança no centro do debate.
Para quem acompanha o mercado, o DevDay reforça a corrida das grandes empresas de IA por receita corporativa e por agentes autônomos. Para o usuário brasileiro, vale observar que os recursos mais avançados ficam concentrados em planos caros, enquanto a pauta de segurança deve influenciar a adoção e a regulação dessas ferramentas.
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