Opções mostram mercado de bitcoin mais cauteloso, mas longe do desespero
Apesar do esfriamento recente no mercado de criptomoedas, os investidores de bitcoin ainda não estão correndo atrás de proteção contra uma queda forte. Essa é a leitura dos dados do mercado de opções apresentada pela CoinDesk na segunda-feira (28), quando o bitcoin era cotado a US$ 83.607,97 e o ether a US$ 2.691,02. As duas moedas vêm sob pressão desde que a tendência de alta perdeu força na segunda-feira anterior.
Para entender o raciocínio, vale lembrar como funcionam as opções. Uma opção de venda, chamada put, dá ao comprador o direito de vender um ativo a um preço combinado e funciona como uma espécie de seguro contra quedas. Já a opção de compra, a call, é usada por quem aposta na valorização. Quando o medo toma conta, a procura por puts sobe e elas ficam mais caras em relação às calls. Segundo a reportagem, não há sinais desse movimento no momento.
O principal termômetro usado na análise é o skew, indicador que mede a diferença de preço entre as puts e as calls. A empresa de análise de dados Laeviats descreve o quadro atual como uma reversão do skew, e não como uma corrida por puts. De acordo com a companhia, o skew de sete dias do bitcoin variou 1,98 ponto de volatilidade na comparação semanal e chegou a -0,45, nível que está no 92º percentil do intervalo das últimas 52 semanas, contra uma mediana de -4,41. Em linguagem simples, a proteção contra quedas continua historicamente barata. O otimismo diminuiu, mas não se transformou em pânico.
No caso do ether, os prêmios pagos pelas calls encolheram em relação à semana anterior, o que indica menor disposição dos investidores para montar posições apostando em alta.
A 10x Research também observou algum aumento na demanda por puts, mas chamou atenção para outro ponto. Segundo a firma, a volatilidade implícita, que reflete a expectativa embutida nos preços das opções, voltou para perto das mínimas do ciclo, enquanto a volatilidade realizada, que mede o quanto o preço de fato oscilou, está 12 pontos acima. A empresa citou que algumas opções de bitcoin estão precificadas com volatilidade de 30 em um mercado que se move a 42. Na avaliação da casa, isso sugere que as opções estão baratas diante do comportamento real dos preços.
Na análise gráfica, o bitcoin recuou para baixo de US$ 83 mil e voltou a testar um suporte formado em maio, em US$ 82.813. Esse patamar funcionou como resistência durante as altas do início de setembro e passou a atuar como suporte em 21 de setembro. Segundo a leitura técnica apresentada, se esse nível resistir, o caminho pode se abrir para novas altas; se for rompido, o sinal seria de uma correção mais profunda.
Para quem investe a partir do Brasil, o recado é que o mercado de derivativos ainda não precifica um cenário de estresse. Isso não garante estabilidade nos próximos dias, mas mostra que, até aqui, a proteção contra quedas segue barata e pouco disputada, de acordo com as análises citadas.
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