Oobit integra o Pix e permite a brasileiros comprar e gastar USDT com reais
Comprar USDT com reais pelo Pix e usar o saldo para pagamentos no dia a dia passou a ser possível no aplicativo da Oobit. No fim de junho de 2026, a empresa de pagamentos, apoiada pela Tether, anunciou a integração nativa com o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, permitindo que usuários brasileiros depositem reais via Pix e recebam a stablecoin atrelada ao dólar diretamente no celular.
O alcance potencial é grande. O Pix reúne cerca de 170 milhões de usuários, o equivalente a 93% dos adultos do país, e está presente em praticamente todos os aplicativos bancários. Ao se conectar a essa infraestrutura, a Oobit busca eliminar uma das principais barreiras para quem quer usar criptomoedas: a dificuldade de converter moeda local em ativos digitais e de gastá-los em compras comuns.
Em reportagem do Bitcoin.com News, o conselheiro da Oobit Alex Obchakevich resumiu a proposta. "A blockchain funciona nos bastidores, enquanto a experiência é idêntica ao fluxo do Pix que os brasileiros já conhecem de todos os aplicativos de banco", afirmou. A ideia é que o usuário não precise entender a tecnologia por trás da operação para usá-la. Na prática, o cliente faz um Pix em reais, a conversão para a stablecoin acontece dentro do aplicativo e o saldo fica disponível para pagamentos, sem etapas adicionais em corretoras.
Os números divulgados pela empresa indicam tração. A atividade da plataforma cresceu 200% desde o lançamento no Brasil, e cada usuário ativo gasta em média US$ 400 por mês, com cerca de 20 transações mensais. A Oobit também concluiu uma rodada Série A de US$ 25 milhões liderada pela Tether, com participação de Anatoly Yakovenko, cofundador da Solana.
O presidente-executivo da Tether, Paolo Ardoino, descreveu a Oobit como uma empresa que derruba barreiras e facilita "transações sem atrito para detentores de criptomoedas em todo o mundo". Para a emissora do USDT, a integração com o Pix representa uma porta de entrada para um dos maiores mercados de pagamentos digitais do planeta, em um país onde as stablecoins atreladas ao dólar já ocupam espaço relevante entre os usuários de criptomoedas.
Para o consumidor brasileiro, a novidade aproxima o dólar digital do cotidiano. Quem quer manter parte dos recursos em uma moeda atrelada ao dólar, seja para se proteger da variação cambial, seja para pagar serviços no exterior, ganha um caminho mais simples, usando o Pix que já faz parte da rotina. É importante lembrar, porém, que o USDT não é um depósito bancário e não conta com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. O valor depende da capacidade da Tether de manter a paridade com o dólar, e as conversões entre real e stablecoin podem envolver spreads e taxas que merecem ser comparados antes do uso frequente.
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