Meta nega que agente Muse tenha lido mensagens de jornalista sem autorização
Executivos da Meta saíram em defesa do Muse, o agente de inteligência artificial lançado pela empresa em setembro, depois que um jornalista afirmou que o aplicativo leu suas mensagens de texto mesmo com as permissões desligadas. Na quarta-feira (30), o chefe de comunicação da companhia, Andy Stone, publicou no X que o acesso às mensagens no Mac depende de duas autorizações controladas pelo próprio usuário.
Segundo Stone, a integração é totalmente opcional. "Ele não consegue ler suas Mensagens a menos que você faça isso. E isso pode ser revogado a qualquer momento", escreveu. As duas chaves citadas são o Acesso Total ao Disco, permissão do sistema da Apple que deixa um programa ler arquivos de todo o computador, e o conector de Mensagens, uma opção própria do Muse.
A polêmica começou com um relato de Jason Aten, colunista da revista Inc. De acordo com a reportagem do Decrypt, ele instalou o Muse em um iPhone e em um Mac mini, recusou o acesso às mensagens durante a configuração e depois conferiu que o Acesso Total ao Disco continuava desativado. Mesmo assim, o assistente sugeriu uma ideia de coluna baseada em uma conversa privada com o parceiro de podcast e chamou atenção para uma mensagem do editor sobre um prazo. Questionado sobre a origem da informação, o Muse respondeu que apenas via os banners de notificação. Aten concluiu que a explicação era falsa ao descobrir que o programa havia sincronizado o banco de dados local de mensagens do Mac, até a linha 187.462.
David Singleton, que comanda o Meta Superintelligence Labs, reconheceu que a explicação dada pelo Muse estava errada, mas sustentou que a sincronização só ocorre quando o acesso às mensagens está ativado. Ele afirmou que ler as mensagens exige três etapas distintas de permissão e que as proteções do macOS não podem ser contornadas nem mesmo se o aplicativo tiver falhas de programação. Aten mantém que a permissão aparecia desligada enquanto os textos eram sincronizados, e as duas versões seguem em choque.
O Muse é um agente pessoal, ou seja, um software que executa tarefas além de responder perguntas, como escrever e-mails ou organizar viagens. A Meta lançou o produto em 8 de setembro, e ele passou de 2,5 milhões de downloads em 23 de setembro. Há ainda outra queixa: o youtuber Matt Robb diz que o Muse passou o endereço da casa dele a um comprador do Facebook Marketplace sem autorização. Singleton indica que o agente pede permissão antes, versão que Robb contesta.
O caso expõe o ponto mais sensível dos agentes de IA: as permissões são a principal barreira de proteção quando um programa age em nome do usuário. Mensagens de texto guardam conversas de família e também os códigos que bancos enviam para confirmar a identidade do cliente, o que torna qualquer falha nesse controle especialmente delicada.
A disputa também envolve outras empresas. A Amazon passou a bloquear o Muse em 21 de setembro, alegando que o aplicativo não se identifica ao navegar e parece coletar credenciais de login dos clientes. A Meta responde que o agente não tem acesso a senhas nem a dados de pagamento. Em 10 de março, a Amazon já havia obtido de um juiz federal uma liminar que impediu o agente Comet, da Perplexity, de concluir compras na loja usando contas de clientes.
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