Justiça dos EUA tenta confiscar US$ 84,2 milhões ligados a banco parceiro da Tether
Promotores do Departamento de Justiça dos Estados Unidos querem confiscar US$ 84,2 milhões mantidos em contas ligadas à Capstone Ltd., empresa de pagamentos sediada em Montana que, segundo a acusação, processava pagamentos para a Tether, emissora da stablecoin USDT. As informações são de reportagem do Decrypt assinada por Jose Antonio Lanz e publicada em 25 de setembro de 2026.
A ação é de confisco civil, instrumento em que o governo busca a perda de bens considerados ligados a atividades ilegais, mesmo sem uma condenação criminal. A queixa foi apresentada em 15 de julho e tramita no Distrito Leste da Califórnia, sob o juiz Dale A. Drozd.
De acordo com os promotores, a Capstone, que tem como donos Kotaro Shimogori e Mary Jeanne Thompson, operou como transmissora de dinheiro sem licença em pelo menos seis estados americanos. A empresa também teria se apresentado aos bancos como uma prestadora comum de serviços de tecnologia da informação. A queixa afirma ainda que o EQIBank, banco digital licenciado em Dominica, no Caribe, orientava a forma como a Capstone movimentava os recursos.
Os valores estão espalhados por várias contas. A maior parte, US$ 79,11 milhões, estava numa conta da Wells Fargo Securities e foi apreendida em 14 de setembro. Há ainda US$ 2,06 milhões numa conta do JPMorgan Chase, US$ 1,86 milhão em outra conta da Wells Fargo e US$ 1,1 milhão somado em duas carteiras de USDT.
Os advogados da Capstone afirmaram que a empresa nega qualquer irregularidade e espera resolver o caso rapidamente. Tanto a Capstone quanto o EQIBank apresentaram defesa de proprietário inocente, argumento usado para alegar desconhecimento de eventual uso ilícito dos bens. Pelas regras processuais aplicáveis, as partes têm 21 dias para responder formalmente.
A Tether confirmou que o EQIBank cuidava das transferências relacionadas à compra e ao resgate de sua stablecoin, mas disse não ter conhecimento das condutas atribuídas à Capstone pelo Departamento de Justiça. A empresa calculou sua exposição em menos de 0,034% dos ativos do grupo, que somavam US$ 187,75 bilhões no segundo trimestre.
Para o EQIBank, a situação é bem mais grave. O banco alertou que os recursos apreendidos representam cerca de 80% de tudo o que possui e que a perda definitiva desse dinheiro poderia levar à sua liquidação.
O caso chama atenção porque envolve a infraestrutura bancária que dá suporte à maior stablecoin do mundo. A USDT é amplamente usada no Brasil, tanto por investidores que buscam exposição ao dólar quanto em operações de pagamento internacional, e questões sobre os parceiros financeiros da Tether costumam ter repercussão no mercado.
A reportagem lembra também o histórico da empresa com autoridades americanas. Em 2021, Tether e Bitfinex, corretora do mesmo grupo, fecharam acordo com a Procuradoria-Geral de Nova York e pagaram multa de US$ 18,5 milhões, após admitir que a USDT nem sempre teve lastro de um dólar para cada token, como era divulgado. Neste novo processo, porém, a Tether não é parte acusada, e o foco da Justiça está na Capstone e no banco caribenho.
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