Índia lidera entradas em corretoras centralizadas na Ásia e Oceania mesmo com economia cripto menor
Nada menos que US$ 88,4 bilhões entraram em corretoras centralizadas de criptomoedas a partir da Índia entre julho de 2025 e junho de 2026. O volume manteve o país como o maior mercado da região formada por Ásia Central, Sudeste Asiático e Oceania nesse tipo de fluxo, à frente de Singapura, com US$ 82,3 bilhões, da Austrália, com US$ 79,3 bilhões, e do Vietnã, com US$ 69,8 bilhões.
O dado chama atenção porque a economia cripto indiana como um todo encolheu no mesmo período. A atividade total do país somou US$ 135 bilhões, uma queda de 14,7%, o que deixou a Índia em terceiro lugar na região. Singapura lidera essa medida mais ampla, com US$ 284 bilhões, seguida pela Austrália, com US$ 173,1 bilhões.
Parte da explicação está nos impostos. Conforme detalhou o crypto.news, a Índia tributa ganhos com criptomoedas em 30% e aplica uma retenção na fonte de 1% sobre transações com ativos digitais virtuais. As corretoras domésticas são obrigadas a reter esse 1%, enquanto plataformas estrangeiras podem não fazer o mesmo, o que empurra parte da atividade para fora do país. As corretoras locais respondem hoje por apenas 0,7% do volume, contra cerca de 7% em meados de 2022 e contra a média regional próxima de 7% dos volumes locais.
O governo tem apertado a fiscalização. Em setembro de 2026, a Unidade de Inteligência Financeira (FIU IND) enviou notificações de descumprimento a 15 plataformas estrangeiras, com pedido de remoção de aplicativos e endereços na internet, entre elas Weex, Blofin, WOO X e WhiteBIT. A Binance foi multada em 188,2 milhões de rúpias por falhas no combate à lavagem de dinheiro e depois se registrou na unidade. Em junho, a FIU pediu às grandes corretoras registros de negociações de balcão acima de US$ 10 mil realizadas desde janeiro de 2026.
As exigências de identificação também ficaram mais duras, com selfie ao vivo, captura de geolocalização, checagem de conta bancária e guarda de registros por pelo menos cinco anos. Em agosto, o país ampliou o sistema de troca internacional de informações fiscais para incluir criptoativos, moedas digitais de bancos centrais e produtos de dinheiro digital, com diligência reforçada para contas acima de US$ 1 milhão. Segundo os dados citados, dos 645 mil indivíduos que negociaram cripto no ano fiscal encerrado em março de 2023, menos de 25% declararam as operações no imposto de renda.
O perfil do investidor também ajuda a explicar o fluxo. Ashish Singhal, cofundador da CoinSwitch, disse que a cripto é usada "predominantemente como um ativo para investimento", com usuários que compram, guardam e vendem. Edul Patel, presidente-executivo da Mudrex, descreveu uma mudança de mentalidade de "girar" para "acumular", com as moedas mantidas ao lado de ações, ouro e fundos. Além dos mais jovens, ganham espaço investidores acima de 35 anos e com carteiras maiores.
O uso em pagamentos do dia a dia segue mínimo, e o país ainda não tem uma lei abrangente para ativos digitais. A supervisão está espalhada entre regras tributárias, exigências contra lavagem de dinheiro e obrigações de reporte.
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