FMI aponta Gana como quinto maior mercado cripto da África Subsaariana, com US$ 21 bilhões por ano
Fluxos de cerca de US$ 21 bilhões por ano em criptomoedas colocam Gana na quinta posição entre os maiores mercados cripto da África Subsaariana. O dado aparece em um relatório de assistência técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado em setembro de 2026, que descreve um setor em expansão, com uso crescente de stablecoins e regras ainda em construção no país africano.
A adoção já alcança uma fatia relevante da população. De acordo com os números reunidos no relatório, entre 8% e 17% dos ganenses já compraram ou venderam criptomoedas, e o ecossistema de ativos virtuais soma mais de 3 milhões de usuários. A negociação é o principal uso, mas os ativos digitais também servem como proteção contra a inflação e como meio de liquidação de operações internacionais na economia informal e semiformal. A tokenização de ativos está em expansão, enquanto as remessas feitas por pessoas físicas ainda representam uma parcela pequena.
Conforme reportagem do crypto.news, assinada por Olivia Stephanie, o FMI avalia que "o setor cripto de Gana se tornou grande o suficiente para criar novos desafios de licenciamento e supervisão" para os reguladores. O Fundo apontou, em especial, a gestão das reservas das stablecoins, a liquidez e o processo de resgate como pontos que ainda exigem desenvolvimento regulatório.
A base legal começou a ser montada no fim de 2025. A Lei de Prestadores de Serviços de Ativos Virtuais foi aprovada em dezembro daquele ano e passou a ser identificada como Lei 1154. A supervisão do setor envolve o Banco de Gana, a Comissão de Valores Mobiliários do país (SEC) e o Centro de Inteligência Financeira. O banco central também criou um novo Departamento de Ativos Virtuais para acompanhar o segmento.
Fazer a ponte entre a lei e a prática ficou a cargo de um ambiente de testes regulatório, o chamado sandbox. A SEC ganense lançou o programa em março de 2026 com 11 participantes e, em 19 de agosto de 2026, ampliou a lista para 20 empresas. O período de testes dura 12 meses, com a possibilidade de transição antecipada para o regime definitivo depois de seis meses.
Entre as participantes estão plataformas de negociação como Yellow Card Ghana, WhiteBIT Ghana, Hyro Exchange e KoinKoin. Há também projetos de tokenização: a Africoin trabalha com ouro, a Vaulta Digital Assets com valores mobiliários e a GFX Brokers com títulos do Tesouro. A diversidade dos participantes mostra que o país tenta acomodar sob a mesma estrutura tanto a compra e venda de criptomoedas quanto a representação digital de ativos tradicionais.
O retrato traçado pelo FMI mostra um mercado que cresceu antes de ter uma supervisão completa e que agora tenta organizar licenças, fiscalização e regras para stablecoins ao mesmo tempo. Os próximos passos dependem da conclusão do período de testes e do avanço das normas apontadas como pendentes pelo Fundo, especialmente as que tratam das reservas e do resgate das moedas digitais estáveis usadas no país.
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