Ether.fi abandona o restaking, que hoje rende 53 vezes menos que o staking comum
Acabou a fase de euforia do restaking, e os números mostram que até os protocolos mais conhecidos do segmento estão lucrando muito pouco. O retrato foi traçado em reportagem publicada em 28 de setembro de 2026, que destaca a saída da Ether.fi dessa atividade como um marco da mudança.
Para quem não acompanha o tema, restaking é a prática de reutilizar ether já colocado em staking para garantir a segurança de outros serviços, em troca de recompensas adicionais. A promessa era multiplicar o rendimento, mas os dados atuais apontam outra realidade.
A Ether.fi vai cortar sua última ligação estrutural com a EigenLayer até o fim do terceiro trimestre de 2026, mantendo menos de 1% dos ativos em restaking. O presidente-executivo, Mike Silagadze, explicou que não havia oportunidades relevantes de rendimento e que os usuários enxergavam riscos. Em agosto, a empresa já havia retirado o restaking do weETH, que se tornou um token simples de staking líquido. Quem quiser restaking agora precisa optar por um token separado, ligado à Symbiotic.
A diferença de rentabilidade é gritante. Em uma semana, até 8 de setembro, o restaking tinha US$ 10,02 bilhões depositados e gerou apenas US$ 99.977 em taxas. No mesmo período, o staking líquido, com US$ 51,87 bilhões, rendeu US$ 27,35 milhões. Por dólar protegido, o staking comum paga cerca de 53 vezes mais.
Os cinco maiores tokens de restaking líquido que restam, Renzo, Kelp, Swell, Puffer Finance e Bedrock, somaram lucro bruto de US$ 953.350 no segundo trimestre de 2026, contra US$ 2,18 milhões três trimestres antes. A Puffer Finance, que captou US$ 23 milhões, lucrou US$ 21.590 no trimestre, e a Swell, US$ 22.370.
A EigenLayer, que chegou a US$ 19,7 bilhões em um pico e tinha US$ 22,06 bilhões em agosto de 2025, hoje guarda US$ 5,10 bilhões. A empresa mudou o nome para EigenCloud e passou a vender computação verificável, tratando o colateral em restaking como infraestrutura, e não como produto principal. Seu serviço EigenDA opera a 100 MB/s na rede principal, e a Symbiotic já integrou mais de 50 redes.
O setor também sofreu com incidentes. Em 18 de abril de 2026, um invasor criou 116.500 rsETH, cerca de US$ 293 milhões, sem lastro em ether, no ataque à ponte da Kelp DAO. O episódio provocou saques de aproximadamente US$ 6 bilhões da Aave, com dívida incobrável estimada entre US$ 123 milhões e US$ 230 milhões. Antes, em 4 de novembro de 2025, a Stream Finance revelou perdas de US$ 93 milhões e congelou saques, com o token xUSD caindo 77% em um dia.
A Ether.fi encontrou nos cartões uma nova fonte de receita. No segundo trimestre, as taxas de cartão geraram US$ 3,14 milhões de lucro bruto, acima dos US$ 2,87 milhões do restaking. Ainda assim, o lucro bruto caiu 47%, de US$ 18,71 milhões para US$ 9,99 milhões. Silagadze afirma que a receita do neobanco já compensou as perdas e projeta alta de cerca de 38% no ritmo anual de receita. Para o investidor brasileiro, o caso reforça que rendimentos elevados em cripto costumam vir acompanhados de riscos proporcionais.
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