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Empresas africanas adotam stablecoins para driblar pagamentos internacionais lentos e caros

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Imagem reproduzida de crypto.news. Autoria da imagem não identificada na fonte.

Stablecoins atreladas ao dólar ganharam espaço entre empresas africanas como solução para um problema antigo: pagamentos internacionais lentos, caros e com acesso restrito à moeda americana. A avaliação é de Dickson Nsofor, CEO da Kora, plataforma de infraestrutura de pagamentos com atuação em vários países do continente. Ele diz que a demanda cresce principalmente em pagamentos a fornecedores, remessas entre países e transações comerciais.

Nsofor recorre à própria experiência. Quando administrava um negócio de hardware na Nigéria, pagar fabricantes na China levava de 10 a 14 dias, porque o dinheiro passava por vários bancos correspondentes e qualquer erro aumentava o prazo. Em entrevista ao crypto.news, ele resumiu: "Elas estão resolvendo primeiro um problema prático. As empresas veem uma forma de movimentar e liquidar valor entre fronteiras com mais eficiência, e isso cria a base para outras atividades financeiras."

Na prática, a stablecoin funciona como uma camada de liquidação em dólar. Um pagamento entre dois países africanos costuma passar por várias instituições e duas conversões de moeda. Com o token, o prestador de serviço pode concentrar a liquidez em dólar e converter para a moeda local apenas no momento do pagamento ao destinatário, sem manter reservas pré-financiadas espalhadas por vários mercados. Montar conexões tradicionais, diz Nsofor, pode levar meses ou anos.

A Nigéria serve de termômetro: relatório da Chainalysis de setembro de 2025 mostrou que o país recebeu mais de US$ 92,1 bilhões em valor em criptomoedas entre julho de 2024 e junho de 2025, número que inclui toda a atividade cripto. Já um estudo do Banco da Itália publicado em 31 de julho trouxe uma visão mais cautelosa sobre custos. Os pesquisadores enviaram 200 USDC em dez corredores entre a Itália e Argentina, Brasil, África do Sul, Emirados Árabes Unidos e Japão, e encontraram custos totais de 0,30% a quase 9%, concentrados na entrada, na saída e na conversão de moeda. Rotas apoiadas em sistemas domésticos de pagamento instantâneo liquidaram em menos de 20 minutos, enquanto as da África do Sul levaram de um a dois dias úteis.

Para Nsofor, o próximo passo é a interoperabilidade. "A África não precisa que as stablecoins substituam o dinheiro móvel, os bancos ou as redes de pagamento locais. Precisa de infraestrutura que consiga conectá-los", disse. Ele defende licenças adequadas em cada país, verificação de identidade, controles contra lavagem de dinheiro e monitoramento de transações, além de regras que permitam que aprovações obtidas em um país africano valham em outros.

Questionado sobre a indefinição legislativa nos Estados Unidos, onde o CLARITY Act foi barrado em votação de procedimento no Senado em 15 de setembro, por 49 votos a 50, Nsofor disse que a vantagem real está em adaptar as stablecoins às necessidades das empresas africanas. Empresas americanas, como Bakkt e Zoth, também anunciaram corredores de pagamento com stablecoins que incluem a Nigéria. O executivo alerta, porém, que depender de emissores de fora do continente traz riscos ligados a reservas, resgates e situação regulatória decididos longe de onde os tokens circulam.

O tema interessa ao Brasil, que esteve entre os corredores testados pelo Banco da Itália. O estudo indica que a ponta local pesa tanto no custo quanto no prazo, e por isso o desafio apontado por Nsofor, de conectar stablecoins às redes de pagamento já existentes, também diz respeito a empresas brasileiras que pagam fornecedores no exterior.

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Fonte: reportagem original publicada por crypto.news. Conteúdo apresentado como resumo editorial. Textos e imagens permanecem sob responsabilidade de suas fontes originais.

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