Em 2026, emissora do USDT bloqueou quase US$ 550 milhões associados ao Irã
Quase US$ 550 milhões em USDT ligados ao Irã foram congelados ao longo de 2026 com participação da Tether, segundo anúncio feito pela própria empresa em 28 de setembro. A emissora da maior stablecoin do mercado afirma ter agido com base em informações do OFAC, o escritório de controle de ativos estrangeiros do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, e de autoridades policiais americanas.
A maior parte do valor foi bloqueada em abril. Naquela ocasião, mais de US$ 344 milhões foram congelados em dois endereços na rede TRON: cerca de US$ 213 milhões em uma carteira e US$ 131 milhões em outra. No dia seguinte ao bloqueio, o OFAC incluiu formalmente esses mesmos endereços em sua lista de sanções como identificadores de moeda digital pertencentes ao Banco Central do Irã. A designação também aponta conexões com a Força Quds, braço da Guarda Revolucionária Islâmica, e com o Hezbollah.
Em julho houve uma segunda rodada. O Tesouro americano acrescentou quatro endereços da TRON à designação do banco central iraniano, e mais de US$ 130 milhões foram congelados nessas quatro carteiras.
O presidente-executivo da Tether, Paolo Ardoino, afirmou que as blockchains públicas permitem às autoridades acompanhar o caminho do dinheiro e que a empresa tem condições de agir quando recebe informações confiáveis das forças de segurança. Ele também declarou que o USDT não é um refúgio para agentes sancionados, organizações terroristas ou redes criminosas.
Para entender o alcance desse tipo de ação, vale lembrar que stablecoins como o USDT são emitidas de forma centralizada. Diferentemente do Bitcoin, em que nenhuma entidade consegue bloquear saldos, a Tether tem mecanismos técnicos para congelar tokens em carteiras específicas. É esse recurso que permite atender pedidos de autoridades.
A empresa apresentou ainda números mais amplos sobre sua cooperação com órgãos de investigação. Segundo a Tether, ela trabalha com mais de 340 agências policiais em 67 países. No total, seus esforços ajudaram a congelar mais de US$ 4,9 bilhões no mundo, dos quais mais de US$ 2,4 bilhões em casos ligados a autoridades dos Estados Unidos. A companhia diz ter apoiado mais de 2.800 investigações globais, sendo mais de 1.500 com participação de forças americanas.
O anúncio acontece em meio a um endurecimento das medidas contra o uso de criptoativos pelo Irã. Em 17 de setembro, o OFAC sancionou a BitBank e pessoas associadas ao financista Babak Zanjani. De acordo com o Tesouro, a rede de Zanjani usava empresas de ativos digitais para movimentar recursos em favor da Guarda Revolucionária, incluindo centenas de milhões de dólares em Bitcoin.
No Brasil, o USDT é uma das criptomoedas mais negociadas e costuma ser usado para dolarização de patrimônio e pagamentos internacionais. Casos como esse mostram que, apesar de circular em blockchains públicas, a stablecoin está sujeita ao controle do emissor, que pode bloquear saldos quando entende haver ligação com atividades ilícitas ou sanções internacionais.
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