DogeOS lança rede de testes para levar aplicações financeiras descentralizadas ao Dogecoin
Desenvolvedores já podem testar aplicações de finanças descentralizadas construídas sobre o Dogecoin. A DogeOS colocou no ar na quarta-feira (30) uma rede de testes pública, compatível com Ethereum, que permite criar serviços de empréstimo, plataformas de negociação e stablecoins, usando DOGE de teste para pagar as taxas das transações.
A proposta é transformar a criptomoeda, que vale cerca de US$ 13 bilhões no mercado, em algo além de um ativo de pagamentos e especulação. O fundador do projeto, Jordan Jefferson, que antes criou a carteira MyDoge, defende o potencial da moeda. "Nenhum outro ativo digital tem a combinação de liquidez, comunidade e alcance cultural do Dogecoin", afirmou. "Com a DogeOS, os desenvolvedores finalmente podem construir aplicações no Dogecoin." Para ele, "uma economia real construída sobre o Dogecoin" é o caminho para levar a moeda adiante.
Há, porém, uma limitação importante na versão atual. Em reportagem do CoinDesk, o projeto é descrito como dependente de operadores e hardware selecionados, e não dos mineradores do Dogecoin. Um sequenciador com permissão ordena as transações, validadores aprovam as atualizações e um ambiente de execução confiável verifica as provas, tudo sob supervisão de um Conselho de Segurança. Ou seja, os mineradores ainda não verificam as provas das aplicações.
A ideia é mudar isso no futuro por meio de uma proposta de atualização do Dogecoin Core chamada OP_CHECKZKP, publicada em julho de 2025. Ela permitiria que os nós da rede verificassem provas de conhecimento zero, o que, em tese, descentralizaria a segurança das aplicações. A implementação, porém, está em fase de rascunho desde dezembro e não tem data de ativação. Também não há data para o lançamento da rede principal da DogeOS.
O histórico de iniciativas parecidas recomenda cautela. A Dogechain, lançada em 2022, atraiu US$ 4,6 milhões no início e hoje guarda menos de US$ 300 mil, uma perda de 93% dos depósitos. A Shibarium, de 2023, chegou a US$ 6,4 milhões e hoje tem cerca de US$ 140 mil em aplicações rastreadas. A DogeOS tenta se diferenciar pelo apoio da Dogecoin Foundation e pelo plano de usar a segurança dos mineradores.
O interesse institucional pela moeda também é fraco. Os ETFs de Dogecoin nos Estados Unidos captaram apenas US$ 12 milhões líquidos em dez meses, somando três fundos, e ficaram sem qualquer fluxo em 166 de 199 pregões. O ETF de Dogecoin da Bitwise foi encerrado quando tinha menos de US$ 700 mil sob gestão. Jefferson apresenta a rede de testes como uma resposta a essa falta de utilidade apontada por investidores.
Para o brasileiro que tem DOGE, a novidade não muda nada por enquanto: trata-se de uma rede de testes, sem valor real, e a segurança das futuras aplicações ainda depende de operadores escolhidos pelo projeto.
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