Desenvolvedor Peter Todd assume serviço de transações privadas da MARA
O desenvolvedor Peter Todd, um dos nomes mais conhecidos entre os colaboradores do Bitcoin Core, tem um novo papel no ecossistema. Ele aceitou o cargo de mantenedor principal do Slipstream, serviço de mempool privada operado pela MARA Foundation. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (1º), conforme reportagem da Bitcoin Magazine.
Na nova função, Todd ficará responsável pelo desenvolvimento e pela operação do Slipstream. O serviço permite que usuários enviem transações de Bitcoin diretamente para a infraestrutura de mineração do MARA Pool, sem passar pela rede pública ponto a ponto, onde as transações normalmente ficam visíveis antes de entrar em um bloco.
A principal vantagem apontada é a confidencialidade. Com o Slipstream, as transações permanecem privadas até serem confirmadas na blockchain, o que evita a exposição das chaves públicas dos usuários nesse intervalo. A questão ganhou relevância depois de um incidente em julho, quando hackers exploraram carteiras físicas Coldcard e comprometeram mais de US$ 115 milhões em fundos.
Ao comentar a contratação, Todd afirmou que espera ver o que é possível fazer no Bitcoin usando o Slipstream como campo de provas para desenvolvimento experimental. O desenvolvedor também disse que o novo papel complementa seu trabalho com o Libre Relay e com políticas de mempool. "O Bitcoin é melhor quando projetamos protocolos tendo em mente a demanda econômica", declarou.
A trajetória de Todd ajuda a explicar o peso da contratação. Ele é coautor do BIP 125, proposta que introduziu o mecanismo replace-by-fee, que permite substituir uma transação ainda não confirmada por outra com taxa maior. Também criou o OpenTimestamps, ferramenta que usa a blockchain do Bitcoin para registrar a existência de documentos em determinado momento, e lançou em 2024 o Libre Relay, versão modificada do Bitcoin Core com regras de retransmissão mais flexíveis.
O Slipstream não é apenas uma ferramenta de privacidade. O serviço já deu suporte a projetos experimentais, entre eles os protocolos Quantum Safe Bitcoin e Binohash. Com Todd à frente, a tendência é que esse caráter de laboratório ganhe ainda mais espaço, já que o próprio desenvolvedor destacou o interesse em testar novas possibilidades na rede. A existência de mempools privadas costuma gerar debate na comunidade, porque concentra parte do fluxo de transações em um único pool de mineração em vez de distribuí-lo pela rede pública. Para usuários que movimentam valores altos, no entanto, a possibilidade de manter uma transação fora de vista até a confirmação pode reduzir riscos de ataque, sobretudo após episódios como o das carteiras Coldcard.
Para o leitor brasileiro que guarda Bitcoin em autocustódia, o movimento mostra que a segurança das transações continua evoluindo além da carteira em si. Serviços como o Slipstream ainda são de nicho, mas indicam que a proteção das informações durante o envio de uma transação se tornou um tema prático, e não apenas técnico, para quem investe na criptomoeda.
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