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Desbloqueio do PS5 vai ao GitHub logo após a Sony dizer na Justiça que jogo digital não pertence ao comprador

Imagem de abertura da publicação em Decrypt
Imagem reproduzida de Decrypt. Legenda da fonte: Sony PlayStation 5. Image: Triyansh Gill on Unsplash/Decrypt

Jogadores de PlayStation 5 ganharam um desbloqueio público do console poucas semanas depois de a Sony afirmar em tribunal que quem compra jogos digitais não se torna dono deles. Segundo o Decrypt, o jailbreak batizado de Relapse, desenvolvido por Nathan Fargo, fundador da Linear Fox, foi publicado no GitHub em 29 de setembro de 2026 e divulgado também por ApolloHB, figura conhecida na cena de consoles.

A ferramenta funciona em consoles com firmware entre as versões 7.00 e 13.60. Ela não é compatível com a versão 14.00, lançada em 16 de setembro. O código foi liberado sob licença MIT, que permite uso, modificação e melhoria livres, e o repositório traz o aviso de que se destina apenas a fins educacionais e de pesquisa em segurança.

Do ponto de vista técnico, o Relapse combina dois ataques e permite carregar programas por meio de um carregador ELF, abrindo espaço para aplicativos caseiros e cópias de segurança de jogos. Para executar, basta alterar o DNS do console para o endereço indicado e aguardar alguns segundos. O exploit é do tipo "tethered", ou seja, precisa ser refeito depois de cada reinicialização. O próprio projeto alerta para riscos de travamentos, perda de dados e banimento de contas, e observa que a etapa do WebKit pode exigir várias tentativas e que a fase do kernel pode travar.

O momento do lançamento é o que dá peso à notícia. Em 21 de agosto de 2026, a Sony sustentou em tribunal federal que não é plausível alegar que consumidores razoáveis acreditavam estar obtendo "propriedade" ao comprar jogos digitais. A declaração faz parte da defesa em uma ação coletiva aberta em junho no Distrito Norte da Califórnia por quatro clientes, que alegam que o botão "Comprar agora" leva o consumidor a crer que é dono do jogo. A empresa argumenta que o software é licenciado, não vendido, e pediu que o caso vá para arbitragem privada. O juiz ainda não decidiu.

A pirataria aparece como preocupação óbvia: usuários já discutem compatibilidade de jogos em fóruns dedicados ao tema. O Decrypt lembra ainda o precedente de Justin Freeman no jailbreak do iOS, em que o desenvolvedor saiu vitorioso, mas a Apple passou a endurecer as barreiras contra desbloqueios.

A reportagem conecta o caso ao debate sobre posse de ativos digitais. Primavera De Filippi, diretora de pesquisa no CERSA, afirma que, em bens digitais comprados, a plataforma acaba retendo o controle do ativo. É justamente essa discussão que sustenta boa parte da proposta de tokens e registros em blockchain como forma de garantir propriedade verificável.

Para quem acompanha o mercado cripto, o episódio ilustra de forma concreta a diferença entre licença e posse. A distância entre o que o consumidor paga e o que efetivamente controla é um dos argumentos mais usados por defensores de ativos digitais nativos, e o resultado da ação contra a Sony pode influenciar esse debate.

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Fonte: reportagem original publicada por Decrypt. Conteúdo apresentado como resumo editorial. Textos e imagens permanecem sob responsabilidade de suas fontes originais.

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