Coinbase leva empréstimo de USDC via Morpho a clientes brasileiros
Clientes brasileiros elegíveis da Coinbase ganharam, no início de setembro de 2026, acesso a um produto de empréstimo de USDC operado com o protocolo descentralizado Morpho. A novidade permite aplicar a stablecoin atrelada ao dólar e receber rendimento definido pelo mercado, sem prazo fixo de carência, o que significa que o dinheiro não fica travado por um período predeterminado.
O funcionamento combina a interface de uma corretora tradicional com a infraestrutura de finanças descentralizadas. Quando o usuário adere, os recursos são enviados on-chain para cofres do Morpho por meio de contratos inteligentes. A curadoria desses cofres, ou seja, a decisão sobre onde o capital é alocado, fica a cargo da Steakhouse Financial. As taxas são variáveis e dependem da oferta e da demanda por empréstimos, e os saques podem ser feitos a qualquer momento, desde que haja liquidez disponível no protocolo. Membros do Coinbase One podem receber bônus sobre a taxa.
O produto não é novo nos Estados Unidos. Ele foi lançado por lá em setembro de 2025 e, segundo a matéria do crypto.news, acumulou perto de US$ 500 milhões em depósitos desde então. Em junho de 2026, a Coinbase ampliou a oferta com um cofre de USDC ligado à Ethena. Quanto ao retorno, a publicação informa que a taxa mais alta registrada no lançamento foi de 10,8% ao ano, enquanto as taxas recentes estavam em 7,4% ao ano. Fabio Plein, diretor-geral da Coinbase para as Américas, afirmou que o serviço busca fazer os ativos dos usuários "trabalharem mais" por eles.
A chegada ao país ocorre em um mercado de peso. Dados da Chainalysis citados pela reportagem estimam em US$ 318 bilhões o volume de transações com criptoativos no Brasil entre 2024 e 2025. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, já havia observado que tokens ligados ao dólar respondem por cerca de 90% dos fluxos cripto reportados no país, o que ajuda a explicar o interesse de plataformas globais em oferecer rendimento sobre stablecoins por aqui.
O ambiente regulatório, no entanto, está ficando mais exigente. Em junho de 2026, o Banco Central acrescentou exigências de auditoria independente para empresas do setor, cobrindo prevenção à lavagem de dinheiro, segregação de ativos, controles de risco e programas de conformidade, com auditores que precisam estar registrados na CVM. As empresas já em operação têm até outubro de 2026 para cumprir o novo marco. A matéria também menciona a Resolução BCB nº 561, que restringe o uso de ativos virtuais em canais eletrônicos de câmbio supervisionados.
Para o investidor brasileiro, a principal questão é entender o risco. Diferentemente de uma aplicação bancária tradicional, o rendimento não é prefixado nem garantido, e depende do funcionamento de contratos inteligentes e da liquidez do protocolo. A ausência de carência dá flexibilidade, mas em momentos de alta demanda os saques podem ficar condicionados à disponibilidade de recursos. Além disso, quem aplica em USDC fica exposto à variação do dólar frente ao real. O produto amplia as opções de quem já mantém reservas em stablecoins, mas exige leitura atenta das condições antes de qualquer decisão.
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