Chefe da BBC elogia episódio de Doctor Who feito por IA e reabre debate sobre criação automatizada
Um episódio de 50 minutos de Doctor Who criado inteiramente por inteligência artificial ganhou um avaliador inesperado: o diretor-geral da BBC, Matt Brittin. Segundo o Decrypt, que repercutiu informações da revista Variety, Brittin disse ter recebido o material e o classificou como "bastante bom". O comentário foi feito durante uma conferência da Royal Television Society.
Brittin assumiu o comando da emissora britânica depois de passar 18 anos no Google, e sua fala sinaliza uma postura mais aberta em relação à tecnologia. Ele argumentou que a IA "não vai substituir humanos" e acrescentou que "todo mundo é criador" e que nem toda criatividade gerada dessa forma é ruim. Em entrevista anterior, o executivo já havia indicado que consideraria permitir que um programa da BBC fosse feito e apresentado com ajuda de IA, desde que dentro de limites definidos.
Há, porém, uma lacuna importante na história. Brittin não deu detalhes sobre o episódio que avaliou, e não se sabe se ele foi produzido internamente pela própria BBC ou enviado por alguma empresa ou organização externa. A emissora não quis comentar o assunto, segundo o Decrypt.
O comentário chega em um momento de transição para a série. Doctor Who, que estreou em 1963 e é um dos pilares da ficção científica na televisão, deixou de contar com o acordo de longa duração com a Disney, parceria que havia movimentado cerca de US$ 220 milhões. Com o fim do contrato, a BBC abriu uma disputa para escolher novos parceiros de produção.
A relação entre a série e a inteligência artificial já rendeu atritos. Em 2024, a BBC anunciou que usaria IA generativa para criar materiais promocionais de seus principais programas, com destaque justamente para Doctor Who. Em poucas semanas, a emissora recebeu reclamações de espectadores e fãs e abandonou o plano, classificando a iniciativa como um pequeno teste.
Meses antes desse episódio, a corporação havia publicado seus princípios para o uso de IA generativa. O documento tratava a tecnologia como uma oportunidade significativa, mas se comprometia a priorizar o interesse público, valorizar o talento humano e manter transparência sobre o uso de ferramentas automatizadas.
Mesmo após o recuo, a BBC seguiu com projetos piloto. Entre eles estão vozes sintéticas criadas por IA para apresentar boletins meteorológicos e o uso da tecnologia para melhorar a qualidade de imagens em diferentes conteúdos.
Para quem acompanha o avanço da inteligência artificial, inclusive investidores atentos a empresas e tokens ligados ao setor, a fala de Brittin mostra que grandes grupos de mídia tradicionais começam a tratar conteúdo gerado por máquinas como possibilidade real, e não só como ameaça. A reação do público, que já derrubou uma iniciativa da BBC em 2024, continua sendo o principal freio para que esse tipo de produção chegue às telas.
O que você achou desta notícia?
+
Carregando reações dos leitores…
Mais conteúdos para você
Do mesmo assunto e outras leituras recentes do arquivo.
Pessimismo domina as conversas sobre XRP e humor nas redes cai ao pior nível desde agosto
Mercado · Bitcoin.com News
Acionistas aprovam fusão e tesouraria de XRP da Evernorth deve estrear na bolsa americana em outubro
Mercado · Bitcoin.com News
Volume de apostas esportivas em mercados de previsão quase dobra e ações de Flutter e DraftKings desabam
Mercado · Bitcoin.com News
Reguladores de Nova York e Wyoming firmam acordo para encurtar licenciamento de empresas cripto
Mercado · Bitcoin.com News
Zcash devolve 21% após máxima de US$ 1.698, pressionado por saída de ETF e rastro de hackers
Mercado · Decrypt
MetaMask tira milhares de validadores do Ethereum após desvio de apenas 0,36 ETH em gorjetas
Mercado · Bitcoin.com News