Chainlink lança estrutura para instituições financeiras operarem no livro-razão da Swift sem abrir mão das chaves
Bancos de seis continentes que participam do projeto de livro-razão em blockchain da Swift ganharam uma nova forma de se conectar à plataforma. A Chainlink apresentou uma estrutura que permite às instituições financeiras ligar seus sistemas atuais ao registro compartilhado da Swift sem entregar o controle das chaves usadas para assinar transações. A coordenação é feita pelo Chainlink Runtime Environment, conhecido como CRE.
No modelo de autoassinatura, cada banco mantém consigo as chaves de autorização das próprias operações, enquanto o CRE cuida apenas da orquestração dos fluxos de trabalho entre os sistemas da instituição e a infraestrutura da Swift. Dessa forma, os bancos conseguem preservar seus procedimentos de aprovação, controles de segurança e modelos operacionais já existentes enquanto adotam serviços de pagamento com depósitos tokenizados.
Os depósitos continuam registrados em livros-razão pertencentes aos próprios bancos. A Swift coordena os compromissos de pagamento entre as instituições participantes, e a liquidação final ocorre pelos mecanismos que já são usados hoje. Sergey Nazarov, presidente-executivo da Chainlink Labs, disse estar animado em apoiar o livro-razão da Swift no momento em que os bancos buscam tecnologia para depósitos tokenizados e conectividade entre registros.
O livro-razão da Swift tem arquitetura compatível com a Máquina Virtual do Ethereum e é baseado no Hyperledger Besu, plataforma corporativa de blockchain de código aberto. A proposta é viabilizar pagamentos internacionais 24 horas por dia, sete dias por semana, com depósitos bancários comerciais tokenizados, permitindo transações fora do expediente bancário. A Swift opera o registro e coordena os processos entre bancos, incluindo a validação dos compromissos de financiamento.
A fase piloto reúne 17 bancos: ANZ, BNP Paribas, BNY, Citi, DBS, First Abu Dhabi Bank, FirstRand Bank, HSBC, Itaú Unibanco, Lloyds Bank, Mashreq, MUFG Bank, OCBC, Standard Chartered, UBS, UOB e Wells Fargo. Mais de 40 empresas financeiras contribuíram para o desenho do sistema durante o desenvolvimento. A presença do Itaú Unibanco na lista coloca um grande banco brasileiro entre os primeiros a testar essa tecnologia de pagamentos internacionais com depósitos tokenizados.
O cronograma do projeto começou em setembro de 2025, quando a Swift anunciou a iniciativa durante o Sibos, sua conferência anual. Em março de 2026, a etapa de design foi concluída e o trabalho avançou para a implementação de um produto mínimo viável. Em julho, o sistema entrou em fase de uso inicial, com as 17 instituições se preparando para pilotos em ambiente real. O anúncio da Chainlink veio em 28 de setembro.
A rede da Swift conecta mais de 11.500 instituições financeiras e empresas em mais de 200 mercados, e movimenta a cada dois ou três dias um volume equivalente ao PIB mundial. No início, o foco estará em pagamentos corporativos e de tesouraria. Futuramente, o sistema poderá suportar fluxos de pagamento programáveis, operações de câmbio no modelo pagamento contra pagamento e movimentações de caixa ligadas a transações com títulos.
A Swift ressaltou que o livro-razão não substitui seu papel de rede global de mensagens financeiras. A orquestração dos pagamentos acontece na blockchain antes da liquidação, mas a transferência efetiva dos recursos continua passando pelos sistemas acordados entre as partes.
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