Cartões de stablecoins movimentam recorde de US$ 1,17 bilhão em setembro com tíquete médio maior
Gastos feitos com cartões ligados a stablecoins chegaram a US$ 1,17 bilhão em setembro de 2026, um recorde no levantamento da Paymentscan e valor acima do total fechado em agosto. O avanço ocorreu mesmo com uma leve queda no número de operações, o que indica compras de valor médio mais alto por parte de quem já usa esse tipo de cartão.
Os dados, reunidos em um retrato divulgado em 29 de setembro, mostram cerca de 11,0 milhões de transações no mês, contra 11,07 milhões em agosto. Com isso, o valor médio por compra ficou em aproximadamente US$ 107. A parcela registrada diretamente na blockchain somou US$ 788,9 milhões, distribuída entre diferentes redes.
A Base, rede de segunda camada criada pela Coinbase, liderou com US$ 216,8 milhões, o equivalente a 27,5% dos gastos rastreados nas redes. Em seguida aparecem a Optimism, com US$ 127 milhões, e a Solana, com US$ 109,3 milhões. Completam a lista a Stellar, com US$ 69,3 milhões, a Polygon, com US$ 50,9 milhões, e o Ethereum, com US$ 49,5 milhões.
Entre os programas de cartão, a RedotPay manteve folgada liderança, com US$ 401,9 milhões em volume nos últimos 30 dias, alta de 3%. O número corresponde a um ritmo anualizado de US$ 4,9 bilhões. A EtherFi ficou em segundo lugar, com US$ 127,4 milhões e crescimento de 20,3%, seguida pela KAST, com US$ 113,1 milhões e avanço de 11,1%. A Karta movimentou US$ 48,7 milhões, com alta de 14,4%, e a Wirex One somou US$ 46,9 milhões, o maior salto entre os cinco primeiros, de 40,1%.
A reportagem do CryptoSlate cita Cuy Sheffield, chefe da unidade de criptomoedas da Visa, que descreveu os cartões de stablecoins como um segmento em "modo de hipercrescimento". Segundo o executivo, os emissores estão concentrados em conectar os tokens atrelados ao dólar às redes de cartão que já existem, o que permite usar o saldo em moeda digital em estabelecimentos comuns.
Nem todos os indicadores, porém, apontam na mesma direção. O número de endereços ativos caiu para 283.761, ante 287.634 em agosto. A leitura feita a partir desses dados é que o crescimento veio de usuários existentes gastando mais, e não da chegada de um grande volume de novos clientes.
Esse detalhe pesa na avaliação do setor. Especialistas ouvidos na análise afirmam que o desafio relevante agora é transformar volume de transações em relacionamento financeiro duradouro, com depósito de salário, pagamento de despesas recorrentes e uso do cartão como conta principal. Nessas frentes, as instituições financeiras tradicionais ainda levam vantagem. Para o leitor brasileiro, os números ajudam a dimensionar um mercado que mistura criptomoedas e meios de pagamento convencionais, já que esses cartões permitem gastar saldo em dólar digital por meio das mesmas bandeiras usadas no comércio. Vale lembrar que o levantamento considera os programas e as redes acompanhados pela Paymentscan, e os números podem mudar à medida que novos emissores entram no monitoramento.
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