Binance assina acordo para comprar corretora brasileira Sim;paul e tenta ganhar espaço no país
A Binance deu um passo para ter uma estrutura regulada no mercado financeiro brasileiro ao assinar um memorando de entendimento para avaliar e possivelmente adquirir a Sim;paul Investimentos, corretora de valores com sede em Porto Alegre. O anúncio foi feito em março de 2022, sem prazo definido para a conclusão do negócio.
A Sim;paul é uma empresa jovem. Fundada em 2019, recebeu aprovação do Banco Central em outubro de 2020 e começou a operar em dezembro do mesmo ano. Segundo o que foi divulgado, a transação conta com autorização dos reguladores brasileiros, o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários, a CVM.
O fundador e presidente-executivo da Binance, Changpeng Zhao, justificou o interesse no país. "Em um mercado em rápido desenvolvimento como o Brasil, o cripto pode transformar e facilitar a vida das pessoas, e por isso acreditamos que, em plena colaboração com as autoridades locais, a Binance tem muito a contribuir para desenvolver a comunidade e o ecossistema no Brasil", afirmou.
O movimento acontece depois de atritos com as autoridades. Como lembrou o Bitcoinist, a Binance havia suspendido os serviços de mercado futuro em seu site brasileiro depois que o Banco Central se recusou a classificar moedas virtuais como ativos financeiros. A CVM também havia apontado a Binance Futures como uma de três entidades sem registro atuando no mercado de valores mobiliários do país.
As críticas vieram ainda de dentro do setor. Rodrigo Monteiro, diretor-executivo da ABCripto, associação que reúne empresas brasileiras de criptoativos, afirmou que os produtos da plataforma mostravam "um preocupante desrespeito ao cumprimento das regras brasileiras". A Binance rebateu, classificando as acusações como "infundadas e incorretas" e dizendo que as queixas tinham "natureza anticoncorrencial".
A compra se encaixa em uma estratégia mais ampla. Zhao disse que a empresa busca "identificar e investir em um ou dois alvos em cada setor econômico e tentar trazê-los para o cripto". Pouco antes, a Binance havia investido US$ 200 milhões na Forbes para ampliar a oferta digital do grupo de mídia.
Para o investidor brasileiro, a eventual compra de uma corretora autorizada poderia mudar a relação da Binance com os reguladores. Com uma empresa já licenciada, a plataforma teria um caminho para oferecer produtos dentro das regras locais, o que tende a dar mais segurança jurídica aos clientes e reduzir o risco de novas suspensões de serviços. Por outro lado, o memorando é apenas uma etapa inicial e não garante que o negócio será concluído. Até a formalização, a operação da Binance no país seguiria sujeita às mesmas questões regulatórias que motivaram as críticas. Vale acompanhar se a aquisição se concretiza e quais produtos passariam a ser oferecidos por meio da nova estrutura, sobretudo derivativos, que foram o centro da controvérsia com a CVM.
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