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Bancos brasileiros ampliam oferta de cripto, mas não guardam nenhum ativo no próprio balanço

Imagem de abertura da publicação em crypto.news
Imagem reproduzida de crypto.news. Autoria da imagem não identificada na fonte.

Grandes instituições financeiras do país aumentaram a lista de criptoativos oferecida aos clientes, mas continuam sem registrar um único ativo virtual no próprio balanço. Em setembro de 2026, reportagem do portal crypto.news mostrou que a oferta chega a até 28 ativos em algumas plataformas, num momento em que as transações com cripto no Brasil alcançaram R$ 505,5 bilhões, cerca de US$ 98,7 bilhões, em 2025.

O volume do ano passado representa alta de 22% em relação a 2024 e de 433% na comparação com 2020. As empresas responderam por 98,3% do total reportado, o equivalente a R$ 497 bilhões (US$ 97 bilhões), enquanto pessoas físicas geraram a parcela restante. Os números ajudam a explicar por que os bancos tradicionais decidiram entrar de vez nesse mercado.

O Itaú, maior banco do país em ativos, oferece 15 criptoativos em sua plataforma de investimentos, entre eles Bitcoin, Ether e a stablecoin USDC. O Nubank foi além e lista 28 ativos digitais para mais de 7 milhões de usuários. O Banco do Brasil passou a permitir a compra de Bitcoin e Ether em janeiro e, desde então, processou mais de R$ 11 milhões (US$ 2,1 milhões) em operações de clientes. Bradesco, Santander e Banco Safra também expandiram seus serviços; o Safra, inclusive, emitiu a stablecoin Safra Dólar em setembro de 2025.

O contraste aparece nos documentos enviados ao Banco Central. Registros de março de 2026 mostram que os bancos brasileiros declararam zero ativos virtuais no balanço. A explicação está no modelo de negócio adotado: o cliente compra e mantém os ativos, enquanto o banco presta serviço de custódia ou executa as ordens. Dessa forma, a instituição não assume risco de preço, de liquidez ou de crédito ligado às criptomoedas.

Carlos Akira Sato, cofundador da consultoria Syscapital, avalia que a regulação dá conforto a um setor tradicionalmente cauteloso. "Em um setor conservador, como é o bancário, a regulação deixa as instituições mais seguras para lançar seus produtos", afirmou à publicação.

O calendário regulatório reforça essa leitura. O Marco Legal dos Ativos Virtuais foi aprovado em 2022, e o Banco Central publicou as Resoluções 519, 520 e 521 em novembro de 2025. Cerca de 120 empresas do setor têm até 30 de outubro de 2026 para cumprir as exigências de licenciamento; regras adicionais de capital e risco começam a valer em janeiro de 2027, e os prestadores de serviços cripto entram no segmento regulatório S4 em meados de 2028.

Para o investidor brasileiro, a principal consequência é a facilidade de acesso: comprar Bitcoin pelo aplicativo do banco em que já se tem conta deixou de ser novidade. Vale lembrar, porém, que o risco da oscilação de preço fica inteiramente com o cliente, já que as instituições atuam como intermediárias e custodiantes, sem exposição própria aos ativos. Esse desenho permite aos bancos atender a demanda crescente dos correntistas sem comprometer o próprio capital com uma classe de ativos conhecida pela volatilidade, enquanto o novo arcabouço do Banco Central entra em vigor por etapas.

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Fonte: reportagem original publicada por crypto.news. Conteúdo apresentado como resumo editorial. Textos e imagens permanecem sob responsabilidade de suas fontes originais.

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