Banco do Brasil estreia em notas digitais com aporte de US$ 5 milhões em título do Citi
Um título estruturado nativamente digital, emitido pelo Citi sobre infraestrutura baseada em blockchain, marcou em setembro de 2026 a estreia do Banco do Brasil nesse tipo de ativo. O banco público investiu US$ 5 milhões na nota por meio de sua tesouraria proprietária, em uma operação que a instituição descreveu como a primeira transação de nota digital realizada por uma instituição latino-americana.
A nota foi emitida pela Citigroup Global Markets Funding Luxembourg SCA, com a filial do Citi em Londres responsável pelas funções de emissão e de agente de pagamento. A plataforma utilizada foi a D-FMI, sigla em inglês para Infraestrutura Digital de Mercado Financeiro, mantida pela Euroclear, uma das maiores centrais de liquidação e custódia de títulos da Europa. Por ser nativamente digital, o papel nasce já registrado na infraestrutura em blockchain, em vez de ser uma representação digital de um título tradicional.
O caso foi noticiado pelo portal crypto.news, que destacou os benefícios citados pelas instituições: menos etapas operacionais, maior rastreabilidade das transações e processos de liquidação e conciliação mais rápidos. Na prática, isso significa menos intermediários conferindo registros em paralelo e um histórico único da operação, acessível às partes envolvidas.
Francisco Lassalvia, vice-presidente de Atacado do Banco do Brasil, apresentou o investimento como parte de uma visão de longo prazo. "Acreditamos que a digitalização dos mercados financeiros representa uma tendência estrutural de longo prazo", afirmou. Do lado do emissor, Roksolana Dushynska, gerente de estruturação de ações da área de emissões do Citi Global Markets, disse que "a emissão mais recente da nossa Nota Estruturada Digital Nativa reforça o papel que o Citi está desempenhando para acelerar o crescimento dos mercados de capitais digitais".
O valor da operação é modesto para o tamanho do Banco do Brasil, e o próprio enquadramento como primeiro investimento em notas digitais indica um caráter inicial. Ainda assim, o movimento tem peso simbólico: coloca um dos maiores bancos públicos do país entre os participantes de uma infraestrutura internacional de tokenização operada por nomes tradicionais do mercado financeiro, e não por empresas nativas de cripto.
Para o leitor brasileiro, a notícia ajuda a mostrar que a tokenização de ativos avança também pelas portas dos grandes bancos, e não apenas pelas corretoras de criptomoedas. Títulos emitidos e liquidados em blockchain ainda estão restritos a investidores institucionais, mas a experiência acumulada por bancos como o Banco do Brasil tende a influenciar a forma como produtos semelhantes poderão chegar, no futuro, ao mercado doméstico. Por ora, trata-se de uma operação de tesouraria, sem oferta ao público de varejo.
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