Banco Central estuda levar o Pix ao exterior apesar das críticas dos Estados Unidos
Pagamentos instantâneos feitos pelo Pix podem ganhar alcance internacional. No início de abril de 2026, o Banco Central informou que estuda lançar o Pix Internacional, versão do sistema voltada a pagamentos e remessas entre países, com a interligação de sistemas nacionais de pagamento instantâneo e a simplificação das liquidações.
O Pix já funciona de forma limitada na Argentina, nos Estados Unidos e em Portugal. A proposta do Banco Central seria tornar essa funcionalidade internacional permanente e padronizada. A escala do sistema no Brasil ajuda a entender a ambição: são mais de 175 milhões de usuários e cerca de 200 bilhões de transações intermediadas desde o lançamento, em novembro de 2020. Praticamente todos os adultos do país já usam a ferramenta.
A iniciativa surge em meio a uma disputa com Washington. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, publicou um relatório afirmando que o Pix prejudica alternativas privadas de pagamento. Segundo o órgão americano, a combinação de tarifa zero e liquidação instantânea coloca em desvantagem concorrentes como Visa e Mastercard. Na leitura apresentada pelo Bitcoin.com News, a expansão internacional do Pix também é vista como uma possível ameaça à hegemonia do dólar, por criar padrões de pagamento alternativos.
No campo político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o sistema como patrimônio do povo brasileiro e prometeu resistir a pressões externas durante sua campanha à reeleição. O apoio veio também de fora. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, pediu a adoção do sistema no país vizinho: "Peço ao Brasil que estenda o sistema PIX à Colômbia e, se possível, que deixe de obedecer à lista da OFAC". A OFAC é o escritório do Tesouro americano responsável por sanções, e a fala de Petro amplia o componente geopolítico do debate.
Para o leitor brasileiro, um Pix internacional pode ter efeito direto no bolso. Remessas para familiares no exterior, pagamentos a fornecedores estrangeiros e compras em viagens costumam depender de bancos, casas de câmbio, cartões ou serviços de transferência que cobram tarifas e aplicam margens sobre o câmbio. Uma ligação direta entre sistemas instantâneos de diferentes países tende a reduzir custos e prazos, embora a reportagem não traga detalhes sobre tarifas, câmbio ou datas de lançamento.
Há também implicações para o mercado de criptomoedas. Stablecoins costumam ser apresentadas como alternativa rápida e barata para transferências entre países. Um Pix capaz de cruzar fronteiras concorreria com essa alternativa, ao mesmo tempo em que poderia se integrar a corretoras que já usam o sistema como porta de entrada de reais.
Na data da reportagem, o projeto estava em estudo, sem cronograma definido. O avanço dependerá de acordos com outros países e da forma como o governo brasileiro vai lidar com a pressão americana, que já tratou o Pix como tema comercial.
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