Apreensões de criptomoedas pela PF crescem seis vezes e chegam a R$ 71 milhões no Brasil
Apreensões de criptomoedas ligadas a crimes cresceram 600% em um ano no país. Em 2025, a Polícia Federal confiscou cerca de R$ 71 milhões, perto de US$ 14 milhões, em ativos digitais relacionados a atividades ilícitas, um valor seis vezes maior que o registrado em 2024. Os dados, levantados pelo jornal Valor Econômico, foram repercutidos em maio de 2026 pelo Bitcoin.com News.
Apesar do salto, o montante apreendido representa uma fração pequena do mercado. Ao longo de 2025, circularam no país cerca de R$ 505 bilhões em criptomoedas, o equivalente a aproximadamente US$ 100 bilhões. A comparação mostra que o volume recuperado pelas autoridades ainda é modesto diante do tamanho das movimentações.
Dois casos ajudam a ilustrar o uso de criptoativos por criminosos. O primeiro foi um ataque a sistemas bancários que atingiu o Pix e redes de criptomoedas, com desvio de US$ 180 milhões. O segundo envolve a investigação de lavagem de dinheiro ligada a Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como "Faraó dos Bitcoins", que comandava a GAS Consultoria, descrita como um dos maiores esquemas de pirâmide com criptomoedas do Brasil.
Facções criminosas também aparecem no levantamento. Grupos como o Primeiro Comando da Capital, o PCC, e o Comando Vermelho, o CV, recorrem a criptomoedas para lavar dinheiro e enviar recursos, aproveitando a velocidade das transferências e a possibilidade de movimentar valores entre países.
Do lado regulatório, o Banco Central publicou em 2025 a Resolução BCB nº 520, que endureceu as exigências de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo para as prestadoras de serviços de ativos virtuais. As regras obrigam as empresas a identificar clientes, monitorar operações suspeitas e comunicar movimentações atípicas às autoridades.
As investigações, porém, enfrentam obstáculos. Drey Dias, diretor comercial da Chainalysis, empresa especializada em análise de blockchain, apontou uma dificuldade específica. "O sigilo que envolve as investigações sobre o tema também atrapalha esse trabalho", afirmou, referindo-se à falta de transparência que dificulta a análise do problema.
Para o leitor brasileiro, os números têm dois lados. Por um lado, o crescimento das apreensões indica que a polícia está mais preparada para rastrear e bloquear ativos digitais, algo que antes era visto como difícil. Por outro, a comparação com o volume total do mercado mostra que o combate ao crime com cripto ainda está no começo. Na prática, o usuário comum deve sentir os efeitos principalmente no reforço das regras de identificação e monitoramento nas corretoras, com mais checagens em depósitos e saques. A tendência também reforça a importância de usar plataformas autorizadas e de desconfiar de promessas de rendimentos garantidos, marca de esquemas como o investigado no caso da GAS Consultoria, que deixou milhares de investidores com prejuízo.
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